O advogado Fabio Pagnozzi, que compõe a defesa da deputada licenciada Carla Zambelli , acusou o Governo Lula de pressionar as autoridades italianas para mantê-la presa em Roma, na Itália. Na avaliação dele, o processo de extradição da parlamentar se tornou um “julgamento político”.

“Esse é mais um resultado do governo brasileiro forçando as autoridades italianas. Mas a defesa está muito convicta de que nós vamos conseguir tirar a Carla do sistema prisional”, afirmou Pagnozzi em entrevista à CNN Brasil .

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Carla Zambelli

Zambelli foi presa em 29 de julho na Itália após a Justiça brasileira condená-la a dez anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em audiência nessa quarta-feira (27), a defesa alegou perseguição e fragilidade de Zambelli, e pleiteava a prisão em regime domiciliar. Mesmo assim, a decisão da Justiça da Itália foi pela manutenção da prisão preventiva da parlamentar na Penitenciária de Rebibbia, em Roma. Um representante oficial do governo brasileiro que participou da sessão reforçou o pedido de extradição.

Na avaliação do juiz responsável pelo caso, há “alto perigo de fuga” por parte da deputada licenciada. Agora, o processo de extradição continua no Ministério do Interior da Itália, cuja atuação é equivalente ao Ministério da Justiça do Brasil.

Laudo médico defende manutenção da prisão

Um laudo médico de 19 páginas assinado pela especialista em medicina legal Edy Febi, atestou que Zambelli tem condições físicas e mentais para continuar no sistema prisional, até mesmo com possibilidade de tratamento terapêutico regular. Esse parecer baseou a decisão judicial para manter a parlamentar no presídio.

Sem anúncio no momento

O tratamento apontado pela médica considerou o diagnóstico de transtorno depressivo e Síndrome de Ehlers-Danlos, que afeta músculos e articulações, mas que o quadro clínico da deputada não representa risco de morte. “Durante a entrevista, a paciente parecia geralmente lúcida, apropriada e adequada às circunstâncias, embora com humor deprimido e distúrbios do sono. Essas condições foram tratadas especificamente e são constantemente revisadas durante visitas psiquiátricas periódicas”, diz trecho do relatório.

Além disso, a especialista afirmou que a greve de fome feita por Zambelli “não constitui impedimento” para que ela permaneça no presídio, pois lá ela continua a receber hidratação e medicações regulares. Outro ponto levantado no parecer é que ela pode ser extraditada ao Brasil por via aérea, contanto que seja acompanhada por equipe médica.