O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), apresentou nesta quinta-feira (28) um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a ligação de fintechs e bancos digitais com operações do crime organizado. A iniciativa surge após três ações policiais que identificaram movimentações de R$ 52 bilhões relacionadas ao PCC, em um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro já descobertos no país.
Segundo o parlamentar, a comissão pretende apurar a relação entre instituições financeiras digitais, setores produtivos e redes de desinformação utilizadas para enfraquecer o combate ao crime. Lindbergh também citou estruturas ligadas à Avenida Faria Lima, em São Paulo, como exemplo de como o mercado financeiro pode ser explorado por organizações criminosas.
As investigações já apontaram que o PCC mantinha cerca de R$ 30 bilhões distribuídos em 40 fundos de investimento administrados por corretoras e agências. Para o deputado, esse cenário demonstra a necessidade de endurecer as regras de fiscalização e mapear a infiltração do crime em cadeias produtivas e instituições públicas e privadas.
O pedido de instalação da CPI será avaliado pela Câmara nos próximos dias. Caso seja aprovado, o colegiado deve ouvir autoridades, especialistas e representantes do setor para entender o papel das fintechs no esquema e propor medidas que reforcem a transparência. A Receita Federal, por sua vez, editou uma nova norma que equipara essas empresas às instituições financeiras tradicionais, ampliando as exigências de prestação de informações.