O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que os Estados Unidos poderão impor novas sanções ao país diante de uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no julgamento do suposto plano de golpe, previsto para começar na próxima terça-feira (2) no Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise no Palácio do Planalto é de que o cenário pode agravar as tensões com Washington, que já aplicou tarifas contra produtos nacionais.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Bolsonaro e outros sete réus serão julgados na Primeira Turma do STF a partir das 9h. Integrantes do governo negam relação direta entre o julgamento e a decisão tomada na última quinta-feira (28), que iniciou um processo para possível retaliação contra as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos.

No entanto, reconhecem que a medida busca resguardar o Brasil em caso de aumento das penalidades. A estratégia do governo é acionar a Lei de Reciprocidade, que pode levar de seis meses a um ano para ser concluída. O processo foi comunicado na sexta-feira (29) pela Embaixada do Brasil em Washington ao USTR, o escritório do Representante Comercial dos EUA.

O Planalto avalia que essa iniciativa funciona como uma espécie de seguro para dar respaldo jurídico em eventual escalada das sanções. Ainda assim, o Brasil mantém a opção de reação imediata dentro da própria Lei de Reciprocidade, com a imposição de tarifas sobre bens norte-americanos, caso haja agravamento do cenário.

Apesar de o governo afirmar estar aberto ao diálogo, não há expectativa de que isso mude a postura dos EUA, já que Donald Trump tem usado o processo contra Bolsonaro como justificativa para as medidas anunciadas desde julho, que incluem tarifas de 50%, cancelamento de vistos e sanções contra o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.

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