O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou nesta quarta-feira (06) que a “responsabilidade maior” pela imposição das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos é da família Bolsonaro. Segundo o gestor, o próprio deputado federal licenciado, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), admitiu ter articulado diretamente as sanções com autoridades americanas. As declarações de Leite foram feitas após uma reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em Brasília, onde o governador entregou um relatório com os impactos da medida no estado gaúcho, o segundo mais afetado do país.
Cotado como possível presidenciável em 2026, Eduardo Leite também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontando que manifestações do petista teriam contribuído para um ambiente de animosidade com o governo do presidente americano Donald Trump . Segundo ele, Lula deveria “ligar imediatamente” para o presidente norte-americano, como tentativa de reverter a tarifa que entrou em vigor nesta quarta-feira. “É claro que se envolve um componente da atuação do próprio presidente da República. Mas está muito claro que a responsabilidade maior da imposição desse sacrifício ao Brasil e aos brasileiros está na família Bolsonaro”, afirmou Leite. “De outro lado, não dá para negar que muitas manifestações feitas pelo presidente Lula, de alguma forma, colaboraram para criar um ambiente de animosidade. Seja em discursos antiamericanos, críticas ao dólar, entre outras manifestações”, completou.
O governador evitou confrontar Alckmin, que está à frente das articulações com o setor produtivo. Leite afirmou ter ouvido do vice-presidente que o governo federal está preparando um “pacote robusto” para minimizar os efeitos da tarifa, embora ainda não tenha detalhes sobre as medidas. O relatório apresentado ao vice mostra que 85,7% das exportações do Rio Grande do Sul para os EUA estão agora sob a nova taxação, o que representa cerca de US$ 1,6 bilhão por ano. Os setores mais afetados são os de produtos de metal, máquinas e materiais elétricos, madeira, couro e calçados, além do tabaco.
As tarifas foram anunciadas por Trump no início de julho e oficializadas no dia 30, com exceção para quase 700 produtos, além disso, o governo dos Estados Unidos também aplicou a chamada Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes , sob justificativa de abuso de poder em decisões judiciais. A administração norte-americana justificou as sanções citando a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro e as ações do STF em processos relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022. Tanto o governo Lula quanto o Supremo interpretam as medidas como uma forma de pressão política para enfraquecer as investigações que envolvem o ex-presidente.