O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve viajar nos próximos dias para Nova York, onde participará da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Como já é tradição, caberá ao chefe do Executivo brasileiro abrir os discursos do evento, além de cumprir uma agenda paralela com reuniões bilaterais e encontros com líderes internacionais.
A viagem acontece em um cenário de forte tensão entre Brasília e Washington. O desgaste nas relações ganhou força após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O episódio provocou reação imediata do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ligado ao governo Donald Trump, que prometeu retaliações.
Em resposta, o Itamaraty divulgou nota afirmando que ameaças externas não intimidam o país. “Declarações como a feita pelo Secretário de Estado Marco Rubio, que atacam autoridades brasileiras e desconsideram provas contundentes, não intimidarão a nossa democracia”, diz o comunicado.
Medidas econômicas
No campo interno, o governo brasileiro anunciou uma Medida Provisória (MP) para reduzir os impactos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. O pacote, batizado de Plano Brasil Soberano, prevê ações emergenciais para socorrer principalmente pequenos exportadores.
Entre as medidas estão:
Compras governamentais: autorização para que estados adquiram itens perecíveis antes destinados ao mercado externo, destinados agora a programas sociais, como merenda escolar.
Linhas de crédito: liberação de R$ 30 bilhões em financiamentos subsidiados para empresas prejudicadas pelas tarifas.
Reintegra ampliado: extensão do programa de devolução de tributos a todas as empresas exportadoras.
Drawback estendido: prorrogação do regime especial que suspende impostos sobre matérias-primas usadas na produção de bens para exportação.
Artigo no New York Times
Em artigo publicado neste domingo (14) no New York Times, Lula reforçou a legitimidade da decisão da Suprema Corte brasileira e rejeitou a narrativa de perseguição política contra Bolsonaro, usada por Trump e seus aliados. O presidente destacou que está aberto a negociar pautas de interesse mútuo, mas fez questão de frisar: “A democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”.
Apesar dos esforços diplomáticos, a administração Trump mantém resistência em discutir a flexibilização das tarifas, o que amplia a pressão sobre a política externa brasileira às vésperas do discurso de Lula na ONU.