A Justiça do Trabalho de Alagoas autorizou o bloqueio de até R$ 649 mil das contas de Cecile e Celine Collor, filhas gêmeas do ex-presidente Fernando Collor de Mello . A decisão foi assinada pela juíza substituta Sarah Vanessa Araújo, da 1ª Vara do Trabalho de Maceió, em 18 de agosto, atendendo ao pedido de um ex-funcionário da TV Gazeta, empresa da família Collor em recuperação judicial desde 2019.

O despacho determinou o envio da ordem ao sistema Sisbajud, que integra o Judiciário ao Banco Central e às instituições financeiras. Desde 2023, a Justiça tenta bloquear valores em nome de Collor, mas havia encontrado apenas R$ 14,97 em suas contas. Nesse mesmo período, porém, o ex-presidente transferiu R$ 1,3 milhão às duas filhas.

Embora não sejam parte formal do processo trabalhista, Cecile e Celine recorreram ao Tribunal Regional do Trabalho, alegando violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O recurso foi negado. O desembargador Roberto Ricardo Gouveia destacou que os repasses de Collor evidenciam tentativa de esvaziamento patrimonial, configurando indícios de fraude à execução.

Segundo documentos da ação, que contou com a quebra de sigilo fiscal do ex-presidente, entre janeiro e dezembro de 2023 foram identificadas quatro transferências: duas de R$ 375 mil e duas de R$ 277,1 mil para cada uma das filhas.