A política do Governo Lula de valorização do salário mínimo pode também representar uma bomba-relógio para as contas públicas do país. O cenário atual indica que, caso não haja uma reforma dessa regra, o Brasil pode estagnar, com investimentos públicos paralisados e aumento da carga tributária.

O salário mínimo vigente é de R$ 1.518,00 (mil quinhentos e dezoito reais), e manter o reajuste real, acima da inflação, tornou-se uma encruzilhada fiscal para a administração petista. Segundo o pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), Fábio Giambagi, caso essa política seja mantida, há grandes chances de que, até 2030, a dívida pública acumule um passivo adicional de R$ 347 bilhões.

Foto:GP1
Notas de cem reais

Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeditou a norma que determina que, anualmente, o salário mínimo seja corrigido pela inflação (INPC) acrescida da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. A lei foi aprovada no fim de 2024 e limitou o aumento real a, no máximo, 2,5%.

As complicações, entretanto, são estruturais, já que o salário mínimo também serve de referência para diversas despesas públicas, incluindo benefícios previdenciários e assistenciais. Somente no ano em que essa política foi retomada pelo petista, os gastos do INSS e do BPC tiveram um acréscimo de cerca de R$ 10 bilhões.

Ou seja, consequentemente, pode haver crescimento das despesas obrigatórias, o que pode superar até mesmo a capacidade do Estado de gerar receita sem aumento de impostos.

Sem anúncio no momento