Três pessoas morreram e ao menos oito foram internadas em menos de três semanas após casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo, segundo dados da Vigilância Sanitária. As ocorrências foram registradas entre os dias 1º e 18 de setembro, nas cidades de São Paulo, Limeira e Bragança Paulista.

Uma das vítimas foi um homem de 54 anos, na capital, que apresentou sintomas no dia 9 e morreu dias depois em um hospital da rede privada. Outro homem, de 38 anos, morreu em São Bernardo do Campo. Na mesma cidade, um terceiro homem, de 45 anos, faleceu nesta segunda-feira (24). Além desses casos, alguns pacientes permanecem internados, enquanto outros já receberam alta.

Algumas vítimas apresentaram cegueira após a ingestão da bebida contaminada. O metanol é um álcool simples, incolor e altamente tóxico, utilizado em solventes, combustíveis, tintas e plásticos. Quando ingerido, se transforma em substâncias que atacam o fígado, os rins, o cérebro e o nervo óptico.

O tratamento é considerado uma emergência médica e pode incluir o uso de medicamentos e até a realização de diálise. A rapidez no atendimento é determinante para a sobrevivência das vítimas e para a prevenção de sequelas graves.

Suspeita de que bebidas alcoólicas adulteradas tenham ligação com facções criminosas

A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) alerta que o metanol usado para adulterar bebidas pode ter a mesma característica e origem de lotes importados ilegalmente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para fraudar combustíveis.

De acordo com a entidade, policiais fecharam distribuidoras e formuladoras ligadas ao esquema. O produto teria sido repassado a destilarias clandestinas e falsificadores de bebidas alcoólicas, em busca de lucro.

Sem anúncio no momento

A suspeita de que o metanol usado para “batizar” bebidas alcoólicas venha de carregamentos importados pelo PCC está alinhada à Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo. Conforme as investigações, postos vendiam gasolina com até 90% de metanol, muito acima do limite legal.