Uma nova campanha do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lançada nesta quinta-feira (4) para comemorar o 7 de Setembro, envia diversos recados e busca ressignificar a bandeira brasileira e a camisa verde e amarela da seleção. O vídeo, com forte tom nacionalista, destaca principalmente a defesa da soberania e já traz o novo lema “do lado do povo brasileiro”, lançado na semana passada durante uma reunião ministerial.

A peça é mais uma com o mote da soberania, lançada após o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , para pressionar pela suspensão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A medida também se relaciona à investigação de supostas práticas desleais contra os EUA, como o uso do Pix como meio de pagamento.

“Falar da Independência do Brasil é lembrar que o nosso país é soberano. E essa soberania aparece em muitas conquistas. Bora balançar a bandeira e vestir o verde e o amarelo nesse 7 de Setembro”, diz a legenda de um dos vídeos da campanha publicados nas redes sociais.

Além desse vídeo, outras peças circulam nas redes reforçando o tom nacionalista, tentando ressignificar os símbolos nacionais. Uma delas incentiva a tirar a camisa verde e amarela da gaveta para “desfilar” nas comemorações do Dia da Independência, neste domingo (7).

"Ai, nem acredito que eu tô livre daquela gaveta. Uau, que saudade, meu povo! [...] Não tem jogo, mas tem Brasil em campo! Todo dia é dia de exaltar o Brasilzão", diz a peça no perfil do governo federal no YouTube. Uma projeção com o mesmo esquema gráfico sobre o “7 de Setembro” e “Brasil Soberano” também foi exibida no prédio do Congresso Nacional.

Durante o governo de Bolsonaro, a bandeira brasileira e a camisa verde e amarela passaram a ser usadas pelos apoiadores do ex-presidente como ato de patriotismo, levando opositores da esquerda a se afastarem desses símbolos. Ainda hoje, durante manifestações de apoiadores de Bolsonaro, esses símbolos são empunhados como forma de patriotismo. No entanto, Lula passou a criticar fortemente essas pessoas, chamando-as de “falsos patriotas” por defenderem a anistia e as sanções dos EUA ao Brasil – embora ele próprio ainda não tenha aparecido publicamente com a camisa verde e amarela.

Sem anúncio no momento

Desde que Lula assumiu o terceiro mandato, houve tentativas de ressignificar o uso dos símbolos nacionais por políticos de esquerda e artistas, mas sem resultados práticos. A iniciativa mais recente foi o boné azul com os dizeres “o Brasil é dos brasileiros”, em contraponto ao boné vermelho usado por apoiadores de Bolsonaro e Trump com a frase “Make America Great Again”.

As novas peças em tom nacionalista e o novo lema do governo fazem parte da estratégia de comunicação adotada pelo ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência. Sidônio foi chamado às pressas por Lula no início do ano para conter a queda de popularidade nas pesquisas de avaliação e também foi marqueteiro da campanha de Lula em 2022.

A retração da popularidade só começou a ser estancada após o tarifaço dos EUA, quando Lula se posicionou como forte opositor de Trump, denunciando tentativa de interferência na política brasileira. Sidônio orientou Lula e demais membros do governo a adotarem um discurso nacionalista e de defesa do presidente brasileiro, com uma profusão de peças publicitárias sobre o tema nas redes sociais.