Através de uma nota, publicada nesse sábado (17), a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) denunciou o que chamou de mitigação indevida das prerrogativas da corporação nas investigações envolvendo o Banco Master . Mesmo sem citar o ministro Dias Toffoli , que é o relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), a ADPF critica medidas judiciais que considera “manifestamente atípicas”, como a imposição de prazos exíguos para operações policiais.
“A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) acompanha com elevada preocupação o desenvolvimento das investigações relacionadas ao Banco Master, na medida em que há indícios de que prerrogativas legalmente asseguradas aos Delegados de Polícia Federal responsáveis pela condução do feito vêm sendo indevidamente mitigadas”, diz trecho da nota.
A nota reforça o clima de tensão entre a Polícia Federal e a Corte. De acordo com a ADPF, as decisões emanadas do STF têm ignorado o planejamento estratégico da polícia, impondo ritos que “destoam dos protocolos institucionais”.
Um dos pontos centrais da manifestação é a condução da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Na última semana, Toffoli criticou publicamente a PF por suposta “inércia” ao não deflagrar uma operação em 24 horas.
“A adoção de técnicas investigativas obedece a critérios de oportunidade e adequação, a cadeia de custódia deve ser rigorosamente preservada, e o amadurecimento probatório ocorre de forma progressiva, conforme a dinâmica própria do procedimento investigatório”, afirmam os delegados, através da nota.
O ponto de maior tensão é a intervenção direta na perícia criminal. A associação destaca decisões judiciais que têm determinado a “escolha nominal de peritos”, prática que não ocorre nem mesmo internamente na Polícia Federal. Ainda conforme a nota, a colaboração entre PF e STF sempre foi um pilar de grandes operações contra o crime organizado e a corrupção, mas destaca que o atual cenário compromete essa tradição.