O advogado Jeffrey Chiquini , que defende o ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro , Filipe Martins , preso nesta sexta-feira (2), se manifestou sobre a mudança no regime de prisão do cliente. Filipe estava em prisão domiciliar desde 27 de dezembro e utilizava tornozeleira eletrônica. Ele foi levado para o presídio de Ponta Grossa (PR). A ordem foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes .
Chiquini declarou que o cliente é um “preso político” e estaria sendo “perseguido por esse regime autoritário”. “O fato é que hoje Alexandre de Moraes colocou em prática aquilo que ele deseja desde 2019. Filipe Martins é oficialmente um preso político, mais um perseguido por esse regime autoritário que se instalou no Brasil. Mas não vamos jogar a toalha; vamos continuar lutando, lutando por justiça e por liberdade”, afirmou o advogado.
Ele acrescentou que a prisão “nada mais é do que uma medida de vingança e uma forma de antecipar o cumprimento da pena decorrente da condenação, embora ainda caibam recursos”. “Foi assim com Bolsonaro, foi assim com os demais condenados da chamada trama golpista, e hoje foi assim com Filipe Martins. O Brasil vê que não há devido processo legal aqui”, pontuou Chiquini.
Na terça-feira (30), o ministro Alexandre de Moraes solicitou que a defesa de Filipe Martins explicasse, no prazo de 24 horas, o uso de uma conta no LinkedIn, sob pena de decretação de prisão preventiva. Martins foi condenado a 21 anos de prisão no julgamento do núcleo 2 e estava proibido de utilizar redes sociais.
O ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde o dia 26 de dezembro, após a fuga e posterior prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques . Martins é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de gerenciar ações da trama golpista que teria como objetivo manter Bolsonaro no poder.
O advogado de Martins declarou, ainda, que a prisão não possui motivo plausível. “Hoje, a prisão de Filipe Martins não foi por algo que ele fez, mas, sim, por quem ele é. Filipe Martins, hoje, no segundo dia do ano, 2 de janeiro de 2026, foi preso por ser Filipe Martins, porque a ordem de prisão não tem fundamento”, afirmou Jeffrey Chiquini.
Ele informou que a defesa irá se reunir para decidir os próximos passos do caso e adiantou que pretende recorrer ao ministro Alexandre de Moraes.
Sobre a prisão de Filipe Martins
Além da prisão domiciliar, Martins deveria cumprir medidas cautelares impostas por Moraes, que incluíam a entrega do passaporte, a suspensão do porte de armas de fogo, a proibição de visitas além dos advogados e a vedação ao uso de redes sociais.
Conforme despacho do ministro Alexandre de Moraes, foi recebida, em 29 de dezembro, uma denúncia juntada aos autos de que o ex-assessor da Presidência teria utilizado o LinkedIn para buscar perfis de outras pessoas. A defesa teve prazo de 24 horas para se manifestar sobre a situação.