O delegado Maurício Iacozzilli afirmou, em entrevista ao Metrópoles , que os três técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), agiam com o objetivo final de provocar a morte das vítimas. Os crimes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e passaram a ser investigados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a partir do dia 23 de dezembro.
Foram presos neste mês Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 e 22 anos. Segundo o delegado, no caso da primeira vítima, a equipe médica ainda conseguiu reverter paradas cardíacas por quatro vezes, mas o suspeito insistiu em novas tentativas de homicídio.
“No caso da primeira vítima, a equipe médica ainda conseguiu reverter as paradas cardíacas por quatro vezes e todas as vezes ele tentou matá-la novamente, com a aplicação dessa medicação. Na última, ainda mais assustador, foi a aplicação do desinfetante na veia da vítima”, relatou Iacozzilli.
Divisão de tarefas
As investigações apontam que os três suspeitos agiam em conjunto. De acordo com o delegado, as duas mulheres tiveram participação considerada “omissiva e colaborativa” nos crimes. Imagens de câmeras de segurança revelaram que o trio atuava de forma fria e organizada, chegando a se reunir após a aplicação das substâncias para observar o monitor cardíaco das vítimas até o momento em que os batimentos zeravam.
“Uma delas está com ele quando ele pega o remédio, prepara as injeções e vai com ele até o quarto. A outra chega num momento posterior e elas parecem vigiar a porta em um certo momento, pelas filmagens. Elas se posicionam na frente do braço da vítima que ele está fazendo a aplicação para que alguém que esteja lá fora não consiga ver e depois os três ficam assistindo o monitor da vítima até zerar”, explicou o delegado.
Segundo Iacozzilli, os vídeos demonstram que ambas tinham pleno conhecimento do que estava acontecendo, razão pela qual também deverão ser indiciadas pelos crimes de homicídio.
As vítimas
A Polícia Civil apura que o grupo foi responsável pelas mortes de João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb); Marcos Moreira, de 33, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos.
No caso da professora aposentada, as investigações apontam que o suspeito chegou a injetar mais de 10 seringas de desinfetante no organismo da vítima . A motivação dos crimes ainda está sendo apurada pela polícia.
Inicialmente, os investigados negaram os fatos e afirmaram que apenas aplicavam medicamentos prescritos pelos médicos. No entanto, ao serem confrontados com as provas, acabaram confessando os crimes, sem demonstrar arrependimento, segundo a PCDF.
O inquérito deve indiciar os três por homicídio doloso qualificado, com a impossibilidade de defesa das vítimas.
Denúncia do hospital
O caso começou a ser investigado após denúncias feitas pelo próprio Hospital Anchieta, que identificou circunstâncias atípicas envolvendo os três técnicos na UTI. Em nota, a instituição informou que instaurou investigação interna por iniciativa própria.
Com base nas evidências levantadas, o hospital solicitou a abertura de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da instituição.
“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”, diz a nota.