A professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, é uma das vítimas do esquema criminoso investigado no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. Ela morreu após um dos técnicos de enfermagem investigados utilizar uma seringa para aplicar desinfetante diretamente em seu corpo enquanto estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, a vítima recebeu o produto “pelo menos 10 vezes”, o que agravou seu quadro clínico e resultou no óbito, declarado em 17 de novembro de 2025. Miranilde estava sob cuidados intensivos quando sofreu a ação criminosa.
Trajetória na educação
Miranilde Pereira da Silva era professora aposentada e teve uma trajetória marcada pela atuação na rede pública de Ensino do Distrito Federal. Segundo publicação do Sindicato dos Professores (Sinpro) à época, ela era lotada na Regional de Ensino de Ceilândia e lecionava a disciplina de atividades na Escola Classe 3.
“Sua dedicação, sensibilidade e cuidado marcaram a trajetória de inúmeras crianças e fortaleceram a escola pública como um espaço de afeto, aprendizagem e cidadania”, destacou o Sinpro em nota de pesar.
A professora deixou três filhos, sendo uma filha, além de duas netas e cinco netos.
Outra vítima
Outra vítima do grupo é Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deu entrada na UTI com fortes dores abdominais e morreu no dia 1º de dezembro de 2025.
Marcos deixou uma filha de 5 anos e teve o velório realizado no dia seguinte à sua morte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Técnicos investigados
Uma apuração do Metrópoles identificou os mortos ligados à ação criminosa atribuída aos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, que atuavam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta. O trio é investigado por envolvimento direto nas mortes ocorridas durante o período em que trabalhavam na unidade hospitalar.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura a atuação dos técnicos, suspeitos de provocar a morte de pacientes internados por meio da aplicação de uma substância considerada letal e de difícil detecção em exames iniciais. Os investigados foram presos nesta segunda-feira (19), e os casos são tratados como homicídios.
Segundo a polícia, os crimes teriam ocorrido nos meses de novembro e dezembro de 2025, dentro da UTI do hospital, em Taguatinga. A investigação teve início após denúncia do próprio Hospital Anchieta, que identificou circunstâncias atípicas envolvendo três óbitos registrados no setor.
Izabella Furtado
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