Na última quinta-feira (22), a revista The Economist publicou um texto sobre o caso do Banco Master e os impactos causados em âmbito nacional. O veículo britânico afirma que o episódio se transformou em uma crise institucional para o Brasil, ultrapassando o mercado financeiro e atingindo a política e o Judiciário, o que resultou em um abalo generalizado de confiança nas instituições. A publicação traz à tona o início do caso e revela que o Banco Central (BC) decidiu liquidar o banco ao identificar a falta de liquidez.

A confirmação ocorreu durante a tentativa de venda ao Banco de Brasília, controlado pelo governo local. À época, auditores encontraram carteiras de crédito sem valor durante a negociação. A revista destacou que a problemática recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), resultando no maior pagamento aos depositantes da história brasileira. Para a The Economist , o volume expõe falhas graves de fiscalização.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Banco Master

A revista britânica mencionou ainda que o escândalo do Master teve repercussão para além do setor bancário devido à relação do dono da instituição com a elite brasileira. "O caso expôs ligações entre políticos, figurões do mercado financeiro e o judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso", afirmou.

Aliás, o crescimento do banco já chamava atenção antes mesmo do colapso. Isso se deve ao fato de seu modelo de negócios depender da venda de certificados de depósito bancário com juros elevados. O banqueiro Daniel Vorcaro assumiu a presidência do Banco Master em 2019.

A revista The Economist relata gastos pessoais elevados e a aproximação com círculos de poder, além de destacar que a prisão de Vorcaro ocorreu quando ele tentava deixar o país. A análise revela reações que extrapolaram o sistema financeiro. Um ministro do Tribunal de Contas da União questionou a decisão do Banco Central. Já um procurador ouvido pela revista afirmou: “Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante”.

Por fim, a publicação aponta que as investigações chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) e destaca que um contrato de US$ 24 milhões foi firmado com um escritório ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes .

Sem anúncio no momento

Apesar das pressões, o presidente do Banco Central manteve a decisão de liquidar a instituição. A revista avalia que o caso fortaleceu o debate sobre a necessidade de maior autonomia da autoridade monetária.