Em novembro de 2024, o Banco Master enviou um documento ao Banco Central que revela que a instituição já havia recebido exigências da autoridade monetária para corrigir falhas graves de governança e de saúde financeira pelo menos um ano antes de sua liquidação. O Estadão teve acesso ao documento, que posteriormente foi confirmado pelo portal Gazeta do Povo.
Assinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro , o Master firmou compromisso com o Banco Central de adotar uma série de medidas em até 180 dias, prazo que se estenderia até maio de 2025, seis meses antes da Operação Compliance Zero. O objetivo era reforçar a liquidez, melhorar a gestão de riscos e reestruturar sua governança corporativa.
Conforme apurado, o documento tem ligação com um termo de compromisso encaminhado pelo Banco Central na reta final da gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária, em 2024, e pode tratar-se de uma resposta ao referido termo. O conteúdo aponta que o BC já monitorava a situação do Master e havia imposto restrições, como a exigência de manutenção de ativos líquidos suficientes para cobrir dívidas de curto prazo e a limitação de determinadas operações de crédito.
Dados reunidos em investigações e relatórios oficiais da autoridade reguladora e do banco indicam que, apesar do prazo concedido, o Master continuou enfrentando dificuldades financeiras, incluindo episódios de recolhimento insuficiente de depósitos compulsórios e dependência do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para honrar compromissos.
Ao Estadão, a defesa de Vorcaro afirmou que as medidas pactuadas com o Banco Central vinham sendo cumpridas e que o banco permanecia solvente até o momento da liquidação, com acompanhamento regular da autoridade monetária ao longo de 2025. Vorcaro chegou a ter a prisão preventiva decretada durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado. Porém, desde o fim daquele mesmo mês, cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira.