Há uma expectativa, tanto na Polícia Federal quanto no Supremo Tribunal Federal, de que o ministro Dias Toffoli , relator das investigações envolvendo o Banco Master, autorize nos próximos dias a divulgação de parte dos autos que ainda permanecem sob sigilo. A possível decisão ocorre em meio a críticas sobre a falta de transparência no andamento do caso.
Fontes ligadas às investigações apontam que a liberação deve ocorrer de forma pontual, alcançando apenas documentos e atos que, na avaliação do relator, não prejudiquem o trabalho investigativo. Internamente, a medida é vista como uma tentativa de ampliar o acesso a informações sem expor dados considerados sensíveis. Já entre críticos, há a avaliação de que a abertura parcial pode limitar o debate público, especialmente sobre eventuais menções a figuras influentes de Brasília.
Mesmo com a possibilidade de flexibilização do sigilo, Toffoli pretende aguardar ao menos mais 60 dias de avanço das apurações antes de definir se o processo permanecerá sob a competência do STF ou será remetido à primeira instância. O prazo não exclui a realização de novas fases da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo a instituição financeira. A Polícia Federal solicitou mais tempo para aprofundar diligências, mantendo, por ora, a supervisão direta do Supremo.
A condução do caso tem gerado pressões internas e externas sobre o relator. Segundo informação divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo , Toffoli teria conversado previamente com outros ministros da Corte antes de tornar pública, na última sexta-feira (30), uma nota sobre o andamento das investigações. A iniciativa teria como objetivo evitar desgastes dentro de um tribunal dividido e informar os colegas antes da divulgação pela imprensa.
Na manifestação, o ministro destacou que sua designação como relator ocorreu por sorteio, que o sigilo já havia sido determinado ainda na primeira instância e que a definição do foro seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República. Toffoli também ressaltou que as investigações seguem normalmente e que a decisão sobre a competência final só será tomada após a conclusão dessa fase.
Nos bastidores, a atuação do órgão regulador do sistema financeiro, que acompanhava de perto a situação do banco, enfraquece o argumento de surpresa apresentado pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. Ainda assim, mesmo com a divulgação limitada de informações, o STF permanece dividido quanto ao desfecho institucional do caso: parte dos ministros avalia que a condução atual é adequada, enquanto outra ala defende o retorno do processo à primeira instância como forma de afastar a Corte do centro da crise.