A esposa do piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso sob suspeita de chefiar um esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes, só tomou conhecimento dos crimes após ser informada pela polícia durante uma operação realizada na segunda-feira (9), no Estado de São Paulo.
Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles , a delegada Luciana Peixoto, que conduz a investigação, relatou que a mulher foi surpreendida com a revelação no momento em que os agentes cumpriam mandados de busca e apreensão na residência da família, no interior paulista.
Segundo a delegada, a esposa não tinha qualquer informação prévia sobre as atividades criminosas do marido e ficou profundamente abalada com a notícia. “Ela está desolada e disse não reconhecer a pessoa com quem foi casada por tantos anos”, afirmou Peixoto. A investigadora destacou ainda que, ao longo das apurações, a polícia já havia constatado que a mulher não tinha envolvimento nem conhecimento dos fatos, motivo pelo qual não se esperava encontrar provas relevantes dentro da casa.
Sérgio Antônio Lopes foi detido dentro de uma aeronave, no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, pouco antes da decolagem. A prisão no local fez parte de uma estratégia para surpreendê-lo e evitar a destruição de possíveis evidências.
De acordo com a delegada, os filhos do casal, todos adultos, também ficaram em estado de choque ao saber das acusações. As investigações apontam que o piloto aproveitava a rotina de viagens profissionais para cometer os abusos, agindo nos dias que antecediam ou sucediam os voos, sob a justificativa de precisar se deslocar entre a capital e o interior.
Conforme apurado, grande parte dos crimes teria ocorrido dentro do carro do suspeito. Após a descoberta dos fatos, a esposa chegou a manifestar a intenção de se desfazer do veículo, segundo informou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em coletiva.
Ainda segundo a polícia, Sérgio Antônio Lopes forçava as vítimas a aliciar outras meninas, utilizando como ameaça a divulgação de imagens registradas durante os abusos. A informação foi confirmada pela diretora do DHPP de São Paulo, Ivalda Aleixo.