A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga um esquema de crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de recursos da RioPrevidência e o Banco Master . Durante o cumprimento dos mandados, um dos investigados tentou se desfazer de uma mala com dinheiro em espécie, arremessando o objeto pela janela do apartamento no momento da chegada dos agentes.
O principal alvo da investigação é o ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, preso desde a semana passada. Ele é suspeito de atuar no direcionamento de quase R$ 1 bilhão em aplicações irregulares e, posteriormente, tentar obstruir a coleta de provas.
Nesta nova etapa, a PF cumpre dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nos municípios de Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina. As ordens foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de ocultação de provas e interferência nas investigações.
Apreensões
O foco da terceira fase da operação é localizar e recuperar bens, valores e objetos retirados de um apartamento vinculado a Deivis, que já havia sido alvo de buscas na primeira etapa, deflagrada em 23 de janeiro.
Durante a ação em Balneário Camboriú, um dos ocupantes do imóvel tentou descartar uma mala contendo dinheiro em espécie, jogando-a pela janela. O montante foi recuperado imediatamente pelos policiais.
Além do dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois aparelhos celulares, que serão submetidos à perícia técnica.
Prisão e suspeita de obstrução
Deivis Marcon Antunes foi preso no dia 3 de fevereiro, durante a segunda fase da operação. De acordo com a Polícia Federal, a prisão não se relaciona apenas às decisões de investimento, mas, principalmente, a indícios de que o ex-dirigente tentou reorganizar seu patrimônio, remover documentos, apagar registros digitais e dificultar o acesso às provas após tomar conhecimento da investigação.
Ele foi localizado por equipes da PF e da Polícia Rodoviária Federal na Via Dutra, no Sul Fluminense, enquanto seguia para o Rio de Janeiro em um veículo alugado, pouco depois de desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, vindo dos Estados Unidos. Para os investigadores, o deslocamento terrestre foi considerado atípico e passou a integrar a linha de apuração.
Indícios levantados pela investigação
Após a primeira fase da operação, os agentes identificaram a retirada de documentos físicos de imóveis ligados ao ex-presidente, alterações em dados armazenados em celulares e computadores, transferência de veículos de alto valor para terceiros e apagamento de imagens de câmeras de segurança em prédios relacionados ao investigado.
Esses elementos fundamentaram os pedidos de prisão e as novas diligências.
Além de Deivis, dois homens foram presos em um escritório de advocacia em Santa Catarina, suspeitos de auxiliar na logística de retirada e ocultação de materiais.
Origem do escândalo
A Operação Barco de Papel apura irregularidades na aquisição de Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central. Entre novembro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões nesses papéis.
Segundo a PF, os títulos apresentavam alto risco, não possuíam cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e tinham prazos longos de vencimento, perfil considerado incompatível com a natureza de um regime próprio de previdência.
Para os investigadores, há indícios de que os aportes foram aprovados sem respaldo técnico consistente e podem ter beneficiado interesses privados, gerando prejuízos ao fundo previdenciário fluminense.