O médico ortopedista Lucas Saldanha Ortiz foi condenado a dez anos de prisão por cobrar pacientes para realizar cirurgias custeadas exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A prática teria ocorrido entre os anos de 2015 e 2017, em pelo menos 11 episódios narrados pela 4ª Promotoria de Justiça de Toledo, no Paraná.
A sentença foi proferida no final de 2025 pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Toledo, Murilo Conehero Ghizzi, e divulgada nesta terça-feira (10) pelo Ministério Público. Segundo a denúncia, ele solicitava pagamentos entre R$ 50 e R$ 200 dos pacientes durante as consultas ou as cirurgias.
Lucas Saldanha Ortiz fazia cobranças a pacientes ou familiares, afirmando que os valores seriam destinados ao pagamento do anestesista ou para custear serviços que não eram fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a denúncia, pacientes chegaram a contrair dívidas porque “sequer tinham condições de arcar com os valores cobrados”.
No decorrer do processo, o médico negou ter utilizado os valores em benefício próprio e afirmou que avisava os pacientes de que aquele seria o único custo dos procedimentos. Ele também declarou que operava da mesma forma os pacientes que não pagavam as quantias solicitadas.
Diante dos relatos e de 11 episódios envolvendo essas cobranças, ele foi condenado pelo crime de corrupção passiva a 10 anos de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 250 dias-multa. Ao jornal Folha de S.Paulo, a advogada Simone Serrano Elias, que atua na defesa do médico, afirmou que já recorreu da sentença.