O juiz Marcello do Amaral Perino solicitou exoneração do cargo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) após se tornar alvo de mandados de busca e apreensão. A investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) apura um suposto esquema de corrupção envolvendo nomeações de parentes e aliados em processos de recuperações judiciais e falências. O desembargador Fernando Antonio Torres Garcia assinou a saída de Perino em dezembro de 2025.
Com a renúncia, a investigação, que corria no gabinete do procurador-geral de Justiça por conta do foro privilegiado, deve passar para a primeira instância. Mesmo fora do cargo desde o início de janeiro, Perino recebeu R$ 88,5 mil líquidos no último mês, quase o dobro do teto constitucional do funcionalismo público. Ele atuava na 1ª Vara Empresarial, que lida com processos de valores bilionários.
As apurações indicam que Perino nomeava parceiros de seu irmão, o advogado Fernando Perino, como administradores judiciais em processos sob sua vara. Esses administradores fiscalizam contas de empresas em crise e recebem honorários de até 5% sobre o valor total da dívida. Em seis processos conduzidos pelo ex-juiz, as dívidas das companhias somavam R$ 1,1 bilhão, segundo o portal Metrópoles.
O Ministério Público também investiga um suposto intercâmbio de nomeações entre estados, envolvendo a esposa de um juiz do Rio de Janeiro e o irmão de Perino em processos no TJRJ. Fernando Perino abriu a própria empresa de administração judicial, Wynn, dois anos após o irmão assumir a vara especializada, reforçando a suspeita de atuação conjunta no esquema.
Marcello Perino ingressou na magistratura em 1994, após carreira como delegado de polícia no litoral sul paulista, e é filho de uma ex-desembargadora do TJSP. A busca e apreensão realizada no fim de 2025 recolheu materiais para subsidiar o inquérito. A defesa dos irmãos Perino não se manifestou sobre as novas etapas da investigação, e o caso segue agora na Justiça comum, onde o Ministério Público pretende detalhar como a “família das falências” atuava para capturar honorários em processos de recuperação judicial.