O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a colocar em pauta o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli . Segundo o parlamentar, já passou do momento de o Senado analisar o caso, que ganhou repercussão após os escândalos envolvendo o Banco Master.
A controvérsia começou quando a Polícia Federal (PF) conseguiu acessar o celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro , e enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sugerindo a suspeição de Toffoli. O documento apontou trocas de mensagens entre o ministro e o banqueiro, levantando questionamentos sobre a imparcialidade de Toffoli em casos relacionados.
Em nota oficial, o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido de suspeição apresentado pela PF trata de ilações e que a instituição não teria legitimidade para realizá-lo, já que não é parte do processo. O ministro citou erroneamente o artigo 145 do Código de Processo Civil, quando, na verdade, o correto seria o artigo 146, que define situações em que um juiz pode ser considerado suspeito.
A advogada Anne Dias explicou que, juridicamente, a Procuradoria-Geral da República poderia apresentar o pedido, pois é a parte acusadora na ação. Caso Toffoli negasse a suspeição, o plenário do STF teria competência para julgar a questão, com relatoria do presidente da Corte. A confusão sobre o artigo citado trouxe atenção adicional para o caso.
Em nova nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli confirmou ser sócio da Maridt, empresa que integrou o grupo do resort Tayayá até fevereiro de 2025. Ele explicou que a Lei Orgânica da Magistratura permite que magistrados recebam dividendos de empresas das quais são sócios, mas veda que exerçam atos de gestão como administradores. Toffoli também negou ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.