O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria tentou reaproximar o empresário mineiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli , antes de as investigações envolvendo o Banco Master chegarem à Corte. A tentativa ocorreu após o distanciamento entre o banqueiro e o magistrado, que mantinham relação próxima até a venda da participação de Toffoli no resort Tayayá, em setembro de 2021.
Segundo informações obtidas pela coluna Andreza Matais com André Shalders , a partir de mensagens resgatadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, Faria atuava como elo entre o empresário e o meio político e chegou a marcar um encontro fora das dependências do Supremo. No entanto, a reunião teria esfriado ainda mais a relação entre os dois, após um comentário feito por Toffoli envolvendo outro banqueiro.
Em conversas analisadas pela PF e enviadas ao Supremo em relatório de cerca de 200 páginas nesta semana, Vorcaro informou a Faria que Toffoli poderia mudar o voto em um julgamento envolvendo ações indenizatórias do setor sucroalcooleiro, referente à Usina Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP). A informação teria sido repassada ao banqueiro pelo advogado Carlos Vieira Filho, especialista em causas do tipo.
O julgamento teve reviravolta. Apesar da expectativa inicial, a decisão final contou com votos favoráveis de Edson Fachin, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli à Usina Alcídia, garantindo à empresa R$ 1,5 bilhão a serem pagos pela União. Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos. O posicionamento divergente de Toffoli em processos semelhantes levantou questionamentos e foi tema de reunião entre ministros do Supremo, que resultou na saída do magistrado da relatoria do caso Master.
Leia a nota de Fábio Faria na íntegra:
“Fábio Faria conheceu Daniel Vorcaro há quase um ano após deixar a vida pública, enquanto trabalhava no Banco BTG Pactual na função de Gerente Sênior de Relacionamento.
Teve relação pessoal com Vorcaro.
Não é advogado e nunca atuou como tal, nem mesmo conhece o processo citado na matéria, bem como o mencionado advogado. Nunca teve qualquer contrato ou mesmo contato com a citada usina.
O conteúdo das citadas mensagens diz respeito a percepções sobre cenários envolvendo julgamento público. Faria nunca tratou com nenhum ministro do Supremo Tribunal Federal sobre processos judiciais, e nunca foi responsável pelo relacionamento institucional de Daniel Vorcaro ou do Banco Master.
Fábio Faria, após deixar a função pública, se dedica, exclusivamente a atividades privadas, lícitas, legítimas, balizadas pela sua aptidão e formação, em perfeita observância da legislação vigente.
Fábio trabalha, atualmente, com consultoria estratégica e análise de cenário institucional e como pessoa pública e ex-ministro de Estado, mantém relações institucionais com representantes de diversos setores da sociedade.
Por fim, reitera-se que não houve pedido, tentativa de interlocução, intermediação, representação ou qualquer medida concreta relacionada ao processo mencionado”.