Uma disputa envolvendo o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo , pode resultar em uma cobrança de quase meio bilhão de reais. Segundo o UOL, o empresário Roberto Campos Marinho Filho , da Yards Capital, notificou o banco para recomprar mais de R$ 460 milhões em ativos apontados como sem lastro, usados para integralizar participação no fundo EXP 1, um FIDC criado em fevereiro de 2025 com cerca de R$ 720 milhões.
No fundo, o Digimais detém 80% das cotas, enquanto Marinho Filho possui 20%. Para compor sua parte, o banco adicionou recursos financeiros em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) vinculadas a empréstimos consignados originados por instituições como Banco Master , banco que foi liquidado.
Auditoria contratada pela Yards teria identificado mais de 20 mil CCBs com falhas documentais, somando cerca de R$ 315 milhões. A notificação enviada ao banco sustenta que o contrato prevê recompra em caso de vícios estruturais. Marinho Filho também acusa o Digimais de interferir na cadeia de pagamentos, redirecionando valores que deveriam ser destinados ao fundo, e afirma que poderá ampliar as medidas judiciais caso não haja recomposição financeira.
O Digimais nega irregularidades e afirma que não possui coobrigação contratual sobre eventuais problemas nos créditos, atribuindo responsabilidade às instituições originadoras. O banco declara ter repassado cerca de R$ 90 milhões ao fundo e diz ter comprovado os pagamentos na Justiça. Paralelamente, move ação contra o sócio, alegando retenção indevida de recursos.