O empresário Leonardo Ávila, proprietário da incorporadora Faenge, atuou como intermediário na entrada de fundos ligados ao Banco Master no capital do Banco de Brasília (BRB). Cerca de R$ 135 milhões passaram por contas vinculadas a Ávila durante a operação.

Na época do aumento de capital realizado pelo BRB em 2024, Ávila já era acionista da instituição e, por isso, possuía o direito de adquirir novas ações. No entanto, ele optou por transferir esse direito de subscrição a terceiros.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Banco Master

Fundos de investimento e pessoas associadas ao Banco Master desembolsaram aproximadamente R$ 700 milhões para adquirir participação acionária no banco estatal.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do empresário afirmou que a cessão dos direitos ocorreu de forma gratuita e sem qualquer vantagem pessoal. O comunicado também destacou que, além dessa transferência, não existe — nem nunca existiu — relação comercial, profissional ou prestação de serviços entre Ávila, o Banco Master ou a gestora Reag.

Ainda segundo a manifestação, a cessão foi formalizada em documento do Banco Bradesco, responsável pela custódia das ações à época, e o aumento de capital posteriormente recebeu homologação do Banco Central. A empresa Faenge também afirmou não ter participação direta no processo de subscrição das ações.

Reportagem do Metrópoles revelou que a Reag e o Banco Master adquiriram papéis do BRB por meio de fundos de investimento. O fundador da Reag, João Carlos Mansur, investiu R$ 193,2 milhões no fundo Celeno para obter participação societária no banco. Já o controlador do Master, Daniel Vorcaro, tornou-se acionista por meio da holding Titan, ao pagar R$ 194 milhões por ações que pertenciam ao Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Segóvia.

Sem anúncio no momento

Diante das movimentações societárias envolvendo o ecossistema do Banco Master e o BRB, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar possíveis irregularidades nas operações.