Apontado como um dos principais nomes do crime organizado no Rio de Janeiro, Adilson Oliveira Coutinho Filho , conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26), em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A captura foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ), que reúne a Polícia Federal e a Polícia Civil do Rio de Janeiro, após trabalho de inteligência que localizou o foragido em uma residência na cidade.

Considerado pelas autoridades integrante da cúpula do jogo do bicho no estado, Adilsinho também é apontado como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do Rio. Ele estava foragido por força de mandado expedido pela Justiça Federal e é investigado ainda como possível mandante de homicídios.

Foto: Polícia Civil / Rio de Janeiro
Bicheiro Adilsinho é preso

Do videobingo ao jogo do bicho

Segundo investigações, a trajetória de Adilsinho no submundo do crime começou nos anos 2000, quando teria atuado no desenvolvimento de softwares para máquinas de videobingo adulteradas, conhecidas como “draculinhas”. Os programas manipulavam resultados e valores acumulados para ampliar os lucros de grupos que exploravam jogos ilegais.

O nome dele já havia sido citado em operações de grande porte, como a Operação Furacão e a Operação Dedo de Deus, que investigaram o núcleo financeiro do jogo ilegal no estado. Em uma dessas ações, mais de R$ 4 milhões foram apreendidos em sua residência, na Barra da Tijuca. Parte do dinheiro estava escondida em paredes falsas e até no sistema de esgoto da casa.

Com o passar dos anos, Adilsinho deixou de atuar apenas nos bastidores técnicos e passou a integrar a nova cúpula do jogo do bicho, ampliando sua influência inclusive no meio carnavalesco, onde é apontado como patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.

Império bilionário do cigarro ilegal

Nos últimos anos, ele passou a ser identificado como chefe de uma estrutura voltada ao contrabando e à falsificação de cigarros. De acordo com a Polícia Federal, o grupo movimentou ao menos R$ 5 bilhões entre 2015 e 2024.

Sem anúncio no momento

As investigações apontam a existência de três fábricas clandestinas na Baixada Fluminense, onde trabalhadores paraguaios eram mantidos em condições análogas à escravidão. A produção era distribuída em áreas controladas pela organização, que impunha monopólio territorial e ameaçava comerciantes que se recusavam a vender os produtos.

Foto: Divulgação/ Policia Civil do Rio e Janeiro
Bicheiro Adilsinho

O esquema também contaria com apoio logístico de agentes públicos e uma estrutura paralela de segurança, semelhante à de milícias, para proteger rotas e garantir a distribuição. Durante a Operação Libertatis II, deflagrada em março deste ano, foram apreendidos veículos de luxo, criptomoedas, grandes quantias em dinheiro e houve o bloqueio de cerca de R$ 350 milhões em bens ligados ao grupo.

Acusações

Adilsinho é investigado por organização criminosa, contrabando, lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de pessoas, trabalho escravo e evasão de divisas. A Polícia Civil também apura a ligação dele com mais de 20 crimes violentos, incluindo homicídios e sequestros.

Após a prisão, ele foi levado para a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e deverá ser encaminhado ao sistema prisional do estado.