Peter Mandelson, ex-ministro do Partido Trabalhista e ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira (3) sua saída da Câmara dos Lordes, a Casa Alta do Parlamento britânico, em meio às revelações sobre seus vínculos com o financista Jeffrey Epstein , incluindo o recebimento de recursos financeiros do norte-americano.
Em nota oficial, a Câmara dos Lordes informou que o presidente da Casa, barão Michael Forsyth de Drumlean, comunicou que o secretário dos Parlamentos foi formalmente notificado da decisão de Mandelson. O afastamento passa a valer a partir de 4 de fevereiro e foi justificado como uma medida tomada “no interesse público e para a conveniência da Casa”.
A renúncia ocorre após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciar a abertura de um processo para retirar de Mandelson o título de “lord” e o assento vitalício no Parlamento. Segundo Starmer, um parecer jurídico foi solicitado para viabilizar a cassação com a maior brevidade possível, além da realização de uma revisão urgente de todas as informações relacionadas à ligação do ex-ministro com Epstein.
De acordo com documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Mandelson teria recebido US$ 75 mil de Epstein em três transferências efetuadas entre 2003 e 2004. As novas informações ampliaram o escândalo, sobretudo após a divulgação de e-mails que sugeririam a troca de informações durante o período em que Mandelson ocupava cargos de destaque no governo britânico.
A Polícia Metropolitana de Londres confirmou a abertura de uma investigação para apurar suspeitas de “má conduta em cargo público”, após denúncias de que o ex-embaixador teria compartilhado documentos governamentais sensíveis com Epstein. Mandelson nega qualquer irregularidade.
No último domingo (1º), ele já havia deixado o Partido Trabalhista. Em comunicado, afirmou que a decisão teve como objetivo evitar “mais constrangimentos” à legenda diante das revelações divulgadas nos Estados Unidos. Mandelson deixou o posto de embaixador britânico em Washington no ano passado. Jeffrey Epstein morreu em agosto de 2019 enquanto estava sob custódia em uma prisão federal norte-americana.