O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi interrogado nesta quinta-feira (5) pelo Supremo Tribunal Federal por videoconferência, no âmbito da ação penal que apura crimes de dano relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. O depoimento ocorreu enquanto Ramagem permanece nos Estados Unidos desde setembro e é considerado foragido pela Justiça brasileira. A oitiva integra o processo que trata especificamente dos danos ao patrimônio público durante os ataques às sedes dos Poderes, em Brasília.

De acordo com o termo de audiência, o interrogatório teve duração aproximada de 50 minutos e foi conduzido por uma juíza auxiliar vinculada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Durante a sessão, Ramagem respondeu a parte das perguntas formuladas pela magistrada e pelo representante da Procuradoria-Geral da República. Ele foi assistido pelo advogado Paulo Cintra ao longo de todo o procedimento.

Foto: Fellipe Sampaio/STF
Alexandre Ramagem

Em maio de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou a suspensão de parte do processo relacionado à alegada trama golpista envolvendo o então parlamentar. Com essa decisão, Ramagem deixou de ser julgado, enquanto exercia o mandato, pelos crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Os delitos estão vinculados aos atos de 8 de janeiro, ocorridos após sua diplomação como deputado federal.

Apesar disso, em 18 de dezembro do ano passado, a Mesa Diretora da Câmara declarou a cassação do mandato de Alexandre Ramagem, em cumprimento a uma determinação do Supremo Tribunal Federal. Dias depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou a retomada da ação penal referente aos crimes de dano, que atualmente se encontra na fase de instrução, com coleta de depoimentos e produção de provas.

Além desse processo, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência já foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. Ramagem deixou o Brasil antes da conclusão desse julgamento, encerrado em 25 de novembro de 2025, quando Moraes determinou o cumprimento das penas impostas aos réus do chamado “núcleo 1”. Após a decisão, ele foi formalmente declarado foragido, e o governo brasileiro encaminhou pedido de extradição aos Estados Unidos, entregue ao Departamento de Estado norte-americano em 30 de dezembro, por meio da Embaixada do Brasil em Washington.

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