Nesta quarta-feira (11), a CPI do Crime Organizado aprovou a convocação de dois ex-integrantes do Banco Central do Brasil que foram afastados por suspeita de envolvimento com o Banco Master . Os convocados são Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização da autarquia, e Bellini Santana, que ocupava o cargo de chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
Ambos são servidores de carreira do Banco Central e foram afastados por decisão do ministro André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal. A medida foi tomada após suspeitas de que eles teriam prestado uma espécie de “consultoria informal” ao Banco Master enquanto o banco era investigado pela própria autoridade monetária, em apurações que acabaram levando à liquidação da instituição em 2025. Os dois já não ocupavam mais seus cargos e também foram alvo de sindicância interna no BC.
Reportagem do colunista Tácio Lorran, do Metrópoles , revelou que Paulo Sérgio Neves de Souza adquiriu dois terrenos e 66,6% de um prédio residencial por R$ 915 mil no município de Guaxupé, no sudoeste de Minas Gerais. Segundo a publicação, um dos terrenos teria sido pago em dinheiro vivo, enquanto os demais foram quitados por meio de transferência bancária à vista.
Além das convocações, os integrantes da CPI aprovaram também a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico do empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel foi preso na última quarta-feira (4) no âmbito das investigações relacionadas ao caso. Entre as empresas que tiveram pedidos de quebra de sigilo aprovados estão Varajo Consultoria, Participações Imobiliárias e King Locação de Veículos. De acordo com as apurações, a Varajo Consultoria teria sido utilizada para realizar pagamentos de propina ao servidor do Banco Central Bellini Santana.
Segundo a investigação, o esquema teria sido operacionalizado por Leonardo Palhares, que também foi convocado para prestar esclarecimentos à CPI. A suspeita é de que as empresas envolvidas tenham sido utilizadas para movimentações financeiras relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas.
Os parlamentares também aprovaram a quebra de sigilo de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, aliado do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele é apontado como integrante de um grupo chamado “A Turma”, que, segundo as investigações, teria sido organizado para intimidar adversários e tentar obstruir apurações.
Mourão chegou a ser preso durante a operação, mas tentou tirar a própria vida nas dependências da Polícia Federal no dia da detenção. Ele chegou a ser socorrido, porém acabou morrendo alguns dias depois em decorrência das complicações.