O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos , publicou nesta quinta-feira (12) um vídeo nas redes sociais em que classificou como “fake news” a repercussão negativa sobre a proposta de criação de um valor mínimo para corridas e entregas em aplicativos. Na gravação, o ministro afirmou que a iniciativa do governo busca garantir “remuneração justa” a motoristas e entregadores, ao comentar discussões sobre reajuste das taxas mínimas pagas pelos serviços.
No vídeo, Boulos diz que informações em circulação nas redes afirmariam que o governo pretende instituir uma nova taxa ao consumidor. Segundo ele, essa interpretação estaria equivocada. Ainda assim, o ministro confirmou que a proposta envolve a elevação do valor mínimo das entregas, atualmente estimado em R$ 7,50, para cerca de R$ 10.
A publicação recebeu posteriormente uma nota de comunidade na rede social X (Twitter). O aviso acrescentado por usuários afirma que o ministro classificou como “fake news” um princípio básico da economia conhecido como repasse de custos, segundo o qual aumentos nas despesas de produção tendem a impactar preços ao consumidor final.
O texto da nota explica que o custo adicional gerado por mudanças nas regras de remuneração pode ser distribuído entre consumidores, empresas ou trabalhadores, dependendo de fatores como elasticidade de oferta e demanda. A reportagem procurou a assessoria de comunicação de Boulos para comentar o caso, mas não havia resposta até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.
A pauta relacionada aos aplicativos tem sido tratada pelo ministro como uma das agendas centrais do governo em ano eleitoral. Em entrevistas e eventos públicos, Boulos tem comparado o debate sobre a regulamentação do setor ao tema da redução da jornada de trabalho sem corte salarial, conhecido como fim da escala 6x1. Em discussões recentes, representantes do governo também classificaram como “fake news” críticas relacionadas a outras medidas econômicas, como ocorreu quando o vice-presidente Geraldo Alckmin respondeu a questionamentos sobre propostas de taxação de eletrônicos.