Documentos da Polícia Federal (PF) revelaram momentos em que coincidiram pelo menos três viagens do empresário Fábio Luís Inácio da Silva, o Lulinha , e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como Careca do INSS . Os destinos eram Madri e Lisboa e ambos chegaram a compartilhar os mesmos voos de primeira classe e, por pelo menos três vezes, permaneceram no mesmo período nas cidades europeias em meio ao auge da Farra do INSS.
A primeira viagem foi para Lisboa, em que coincidiu a estadia dos dois entre 17 e 18 de junho de 2024. A segunda, para Madrid, no período de 13 a 20 de setembro de 2024. A terceira e última foi registrada entre 8 e 14 de novembro de 2024, com destino a Lisboa. Nesta última, chamou a atenção da corporação o fato de as passagens terem sido adquiridas com 4 minutos de diferença, reforçando indícios de vínculos entre os dois.
“Apesar de não compartilharem o mesmo código de reserva, observa-se um vínculo relevante a ser evidenciado, considerando ainda que as passagens foram compradas com exatos 21 dias de antecedência, sendo que a passagem de ANTONIO foi comprada no dia 18/10/2024 às 14:37 e a passagem de FABIO LUIS foi comprada no dia 18/10/2024 às 14:41, ou seja, apenas 4 minutos de diferença”, diz trecho do relatório da Polícia Federal.
Em duas dessas viagens, além do Careca do INSS e Lulinha, também esteve a empresária Roberta Luchsinger, apontada como intermediária dos dois. No levantamento feito pela PF, foi identificado que uma agência de viagens recebeu mais de R$ 640 mil de uma empresa de Luchsinger, e cujos dados cadastrais de Lulinha aparecem vinculados em trechos internacionais.
Um ex-funcionário do lobista já havia revelado à corporação que ele custeava as despesas da empresária e do filho do presidente da República. Os três também ensaiavam um negócio na área de cannabis medicinal, e as viagens juntos para a Europa seriam para tratar desses empreendimentos.