A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), atual presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, moveu uma ação judicial contra a publicitária e ativista feminista Isabella Cêpa por causa de um comentário publicado nas redes sociais durante as eleições municipais de 2020 em São Paulo. O caso ganhou repercussão e, anos depois, resultou na saída da ativista do Brasil e na concessão de asilo político na Europa.

Na ocasião, Isabella Cêpa comentou em seu perfil no Instagram o resultado da eleição que tornou Erika Hilton a vereadora mais votada da capital paulista. Na publicação, a ativista escreveu: “A mulher mais votada é homem”.

Foto: Câmara dos Deputados/Redes Sociais
Erika Hilton e Isabella Cêpa

A parlamentar considerou a mensagem discriminatória. O episódio levou o Ministério Público de São Paulo a apresentar denúncia com base na Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes de discriminação. Desde 2019, após decisão do Supremo Tribunal Federal na ADO 26, manifestações consideradas transfóbicas passaram a ser enquadradas nessa legislação.

O processo acabou sendo remetido à Justiça Federal e foi arquivado sob o entendimento de que a conduta da ativista não configurava crime.

Recurso ao STF

Mesmo após o arquivamento, Erika Hilton recorreu ao Supremo Tribunal Federal, apresentando uma reclamação para tentar reverter a decisão.

Em agosto do ano passado, o ministro Gilmar Mendes rejeitou o pedido da parlamentar e manteve o arquivamento do processo. Na decisão, o magistrado reafirmou o entendimento da Corte de que a transfobia pode ser equiparada ao racismo, mas ressaltou que críticas ou opiniões não podem ser automaticamente criminalizadas quando não há incitação ao ódio.

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Ativista pediu refúgio

Em junho de 2025, Isabella Cêpa formalizou um pedido de refúgio na Europa com apoio da organização Matria Brasil. A documentação apresentada incluiu relatos de ameaças, registros de manifestações nas redes sociais e documentos relacionados ao processo judicial no Brasil.

Cerca de um mês depois, a ativista recebeu reconhecimento como refugiada pela Agência da União Europeia para o Asilo e pela Organização das Nações Unidas.

Segundo a entidade que acompanhou o caso, seria a primeira vez que uma pessoa obtém asilo político no exterior alegando perseguição relacionada a críticas à chamada ideologia de gênero.