Os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social ( INSS ) e do Dataprev podem ter recebido pelo menos R$ 1 bilhão desviados de aposentados e pensionistas por 12 a 15 anos de fraudes em benefícios. A informação foi divulgada nesta terça-feira (17) pelo presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), durante entrevista coletiva no Senado, em Brasília.
Inicialmente, a comissão havia apurado uma estimativa de R$ 700 milhões no escândalo envolvendo as fraudes. Desde que a Operação Sem Desconto foi deflagrada no ano passado e revelou um esquema bilionário de cobrança de mensalidades associativas sem autorização dos segurados, o colegiado tem seguido com as apurações sobre o esquema.
Mais cedo, a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) foi alvo de ação da Polícia Federal, acusada de pagar propina ao ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Segundo o presidente da CPMI, os servidores que atuaram nas fraudes aos aposentados e pensionistas permitiam que as associações continuassem tendo financiamento dentro da previdência.
“Ao longo de todo esse tempo, várias associações e grupos fizeram [o esquema]. Temos pelo menos três [quadrilhas] identificadas e que atuaram paralelamente dentro da Previdência usando os mesmos esquemas e os mesmos servidores. Portanto, não me surpreende que, num escândalo de quase R$ 700 milhões, servidores públicos tenham recebido R$ 1 bilhão desviados, porque eles é que permitiam que esses grupos continuassem tendo financiamento dentro do INSS”, declarou Viana.