Diante da recente elevação no preço do diesel, caminhoneiros de diferentes segmentos começaram a se organizar para uma possível paralisação em nível nacional. Representantes da categoria indicam que o movimento pode começar ainda nesta semana. Desde o fim de fevereiro, o combustível acumula alta próxima de 19%, em um cenário marcado por tensões envolvendo Estados Unidos , Israel e Irã, o que pressiona o mercado global de petróleo.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística manifestou apoio à mobilização e cobrou providências do Governo Federal para conter o que considera um aumento abusivo nos preços. Até o momento, as convocações para paralisação vinham ocorrendo de forma isolada. Entre os grupos que defendem o movimento estão a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos. De acordo com Wallace Landim, líder da Abrava, uma assembleia com representantes de vários estados aprovou a greve, embora ainda não haja data definida.
A recomendação é que os motoristas suspendam as atividades sem realizar bloqueios em rodovias, evitando possíveis punições. “É uma luta pela sobrevivência”, disse Landim à Reuters nesta terça (17). Segundo ele, a paralisação pode ter início já nesta semana.
Não é a primeira vez que a categoria articula uma mobilização de grande escala. No entanto, Landim destacou que tentativas anteriores tiveram caráter político, enquanto o cenário atual reflete que os caminhoneiros enfrentam “a mesma dor que sentimos em 2018”.
Naquele ano, uma greve ampla paralisou o país por cerca de dez dias, com interdições em diversas rodovias. Agora, com a nova disparada do diesel, os pedidos por uma paralisação voltaram a ganhar força, ainda que sem calendário definido ou estimativa clara de adesão. Entre as principais demandas da categoria estão o cumprimento do piso mínimo do frete, a punição de empresas que descumprirem a regra e uma atuação mais firme da Petrobras na regulação dos preços.
O governo monitora a situação e reconhece o risco de paralisação. Para tentar amenizar os efeitos da alta internacional do petróleo, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou impostos sobre o diesel na semana passada. Paralelamente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis iniciou uma operação voltada ao combate de preços abusivos em postos.
Mesmo com essas medidas, a Petrobras anunciou um reajuste de 11,6% no preço do diesel nas refinarias. Ainda não há garantia de que as ações adotadas serão suficientes para evitar a paralisação das atividades.
“Os caminhoneiros estão no limite”, afirmou Carlos Alberto, diretor da CNTTL, em nota à Reuters. A possibilidade de interrupção no transporte já começa a refletir no mercado financeiro, com impacto nas taxas de juros futuros.