O Palácio do Planalto acompanha com apreensão os desdobramentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, que deu um passo decisivo em direção a um acordo de colaboração premiada. Nesta quinta-feira (19), Vorcaro foi transferido do sistema prisional federal para uma cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A mudança aconteceu logo após o investigado assinar um termo de confidencialidade com investigadores e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), formalizando o início das negociações para uma possível delação premiada. O movimento acendeu um alerta entre auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva .
Nos bastidores, interlocutores do governo buscam minimizar a relevância de um eventual depoimento de Vorcaro. O argumento é de que a Polícia Federal já possui provas robustas, como registros bancários e dados extraídos de aparelhos telefônicos, suficientes para sustentar o inquérito sem depender da colaboração do réu.
Apesar disso, o receio dentro do Executivo é de que o banqueiro utilize os benefícios de um acordo judicial para implicar nomes de peso da administração federal, o que poderia desencadear uma crise política de grandes proporções.
As suspeitas de envolvimento de figuras ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) ganharam força após a revelação de movimentações financeiras expressivas. A BK Financeira, empresa pertencente à nora do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, recebeu R$ 11 milhões oriundos do Banco Master.
Outro ponto de atenção envolve a gestão do ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa . Mudanças regulatórias relacionadas ao cartão Credcesta, operado por um ex-sócio de Vorcaro, são alvo de questionamentos. Especialistas apontam que o mercado de crédito consignado no estado sofreu alterações significativas após a privatização do serviço.
O histórico de relações entre Vorcaro e integrantes do alto escalão do governo também é observado. Em dezembro de 2024, o banqueiro foi recebido por Lula no Planalto, em um encontro intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega, que atuava como consultor da instituição financeira. Além disso, o escritório do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski teria recebido cerca de R$ 5 milhões do Banco Master por serviços de consultoria jurídica, mantendo vínculo mesmo após sua nomeação para a Esplanada dos Ministérios.