O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro , passa a integrar, a partir desta terça-feira (24), o grupo de chefes do Palácio Guanabara que enfrentaram problemas com a Justiça. A condenação foi determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao longo dos últimos 30 anos, todos os governadores eleitos no estado foram alvo de prisão, cassação ou impeachment.
Sem ter sido presa ou condenada até hoje, Benedita da Silva é a única exceção. Ela ocupava o cargo de vice de Anthony Garotinho e assumiu o governo em 2002, quando ele deixou o posto para disputar a Presidência da República. Nos últimos anos, cinco ex-governadores chegaram a ser presos: Moreira Franco (1987-1991), Anthony Garotinho (1999-2002), Rosinha Garotinho (2003-2006), Sérgio Cabral (2007-2014) e Luiz Fernando Pezão (2014-2018).
Além disso, três governadores, incluindo Castro, não conseguiram concluir seus mandatos. Preso ainda no exercício do cargo, Luiz Fernando Pezão está entre eles, assim como Wilson Witzel (2019-2021), que sofreu, em 2021, o primeiro impeachment da história do Rio de Janeiro. Desde 2020, ele já se encontrava afastado por suspeitas de irregularidades na área da saúde durante a pandemia.
No caso mais recente, na segunda-feira (23), Castro renunciou ao cargo, um dia antes do julgamento no TSE que resultou na cassação de seu mandato.
Histórico de alguns ex-governadores do Rio
Cláudio Castro
Vice na chapa de Wilson Witzel, Castro assumiu o governo após o afastamento do titular. Em 2022, foi eleito com 58,67% dos votos para permanecer no cargo. Nesta terça-feira, porém, o TSE decidiu torná-lo inelegível por abuso de poder político e econômico. O prazo de inelegibilidade, de oito anos, passa a contar a partir de 2022, ano em que ocorreu o ilícito. Ainda há possibilidade de apresentação de embargos de declaração.
As Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) analisam o uso indevido da Fundação Ceperj durante o período eleitoral. Há indícios de contratações em massa sem concurso público, além de pagamentos realizados fora dos padrões administrativos, com saques em dinheiro vivo em agências do Banco Bradesco.
Wilson Witzel
Em 2020, no âmbito de uma investigação que apurava sua participação em um esquema de corrupção revelado pela Operação Placebo, o então governador foi afastado do cargo. No ano seguinte, em 2021, acabou sofrendo impeachment, o primeiro registrado na história do estado. As ações judiciais envolvendo seu nome seguem em tramitação.
Luiz Fernando Pezão
Em novembro de 2018, durante a Operação Boca de Lobo, desdobramento da Lava Jato, foi preso Luiz Fernando Pezão. Ele respondia a acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No entanto, em 2023, acabou absolvido por falta de provas.
Sérgio Cabral
Condenado no contexto da Operação Lava Jato, Sérgio Cabral chegou a permanecer preso por cerca de seis anos, após receber penas que somavam mais de 400 anos. Atualmente, cumpre medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.