A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no dia 14 de janeiro, foi marcada por indícios de vazamento de informações que podem ter comprometido o cumprimento de mandados judiciais. A ação resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens.
De acordo com informações divulgadas pelo UOL , em diversos endereços os agentes encontraram sinais de que os investigados teriam sido alertados previamente sobre a operação. Entre as evidências estão imóveis revirados, apartamentos sendo desocupados e alvos que deixaram os locais pouco antes da chegada da PF.
Um dos casos ocorreu na residência de Daniel Vorcaro . Ao chegarem ao imóvel, os policiais já encontraram um advogado no portão. Segundo relatos, seguranças armados teriam dificultado o acesso, exigindo intervenção dos agentes. A defesa, no entanto, nega qualquer resistência.
Situações semelhantes foram registradas em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Em Trancoso, na casa de Felipe Vorcaro, os agentes encontraram o local aparentemente abandonado às pressas. Familiares informaram que o casal havia saído para a academia e não retornou durante a operação, impedindo a apreensão de celulares e outros dispositivos.
No Rio de Janeiro, o apartamento do empresário Nelson Tanure estava praticamente vazio, sem pertences pessoais ou eletrônicos. Já em Belo Horizonte, na residência de André Beraldo de Morais, foram encontrados sinais de saída apressada, como roupas espalhadas e armas acessíveis. Os agentes precisaram arrombar uma sala-cofre, onde localizaram e apreenderam armamento e munições.
Outro ponto que chamou atenção ocorreu na casa de Fernando Vieira, onde policiais militares à paisana, apresentados como seguranças privados, estavam no local. A PF apreendeu armas e munições e informou que não conseguiu identificar a vinculação dos militares, o que deverá ser apurado.
Além dos indícios de vazamento, a operação também enfrentou dificuldades por limitações judiciais. O pedido de busca havia sido feito meses antes, mas a PF não teve autorização para atualizar os endereços dos investigados, por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Isso comprometeu o principal objetivo da ação, que era a apreensão de mídias digitais.
Nem todos os alvos, porém, teriam sido alertados. Em um dos endereços, o diretor Silvio Barreto da Silva foi encontrado dormindo, após os agentes precisarem acionar um chaveiro para entrar no imóvel.
As defesas dos investigados contestam as suspeitas levantadas pela PF. Os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que não houve resistência e alegaram que os agentes teriam efetuado disparos nas fechaduras. Já a defesa de Nelson Tanure sustenta que o empresário não residia mais no endereço e nega qualquer vínculo societário com o Banco Master.
A Polícia Federal deve aprofundar as investigações para apurar possível vazamento de informações e eventuais responsabilidades no caso.