O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes , utilizou a ausência de mensagens no celular de Débora Rodrigues dos Santos como um dos elementos considerados no julgamento da acusada de pichar com batom uma estátua durante os atos do 8 de janeiro de 2023 no Brasil. No voto, o magistrado apontou que a falta de conversas no período investigado indicaria possível tentativa de ocultar provas relacionadas às manifestações ocorridas em Brasília.
O entendimento foi baseado em relatório elaborado pela Polícia Federal a partir da análise do celular da acusada. No documento, os peritos registraram que não foram encontradas conversas relevantes no aplicativo WhatsApp relacionadas ao objeto da investigação. A análise também apontou uma interrupção nas conversas entre dezembro de 2022 e a primeira quinzena de fevereiro de 2023.
O relatório técnico, no entanto, não concluiu que houve exclusão de mensagens. Os peritos registraram apenas a possibilidade de que dados tenham sido apagados, sem confirmação definitiva. O texto afirma que a ausência de registros no período poderia indicar que conteúdos relacionados às manifestações tenham sido removidos do aparelho, hipótese que foi considerada no voto apresentado pelo ministro no julgamento.
Em meio ao escândalo, do Caso Master, foi apontado que o próprio Alexandre de Moraes utilizou mensagens de visualização única ao se comunicar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Esse tipo de mensagem desaparece automaticamente após ser lida pelo destinatário, impedindo o armazenamento permanente do conteúdo nas conversas.
Dados extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, apreendido no momento de sua prisão, indicam que o empresário mantinha contato com Moraes e relatava avanços em negociações relacionadas à venda do Banco Master. Os registros também sugerem menções a um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília e que resultou na prisão do ex-banqueiro. A eventual abertura de investigação sobre o caso deverá ser analisada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.