Um delegado federal no Rio de Janeiro, que não teve o nome divulgado, foi preso pela Polícia Federal , nesta segunda-feira (09), durante operação que apura o vazamento de informações sigilosas para integrantes da facção criminosa Comando Vermelho . A medida foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso está relacionado ao inquérito que resultou no indiciamento do deputado estadual Rodrigo Bacellar , do União Brasil, e do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias .
Investigação sobre vazamento de dados
De acordo com a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de repassar informações antecipadas sobre operações policiais a membros da organização criminosa. Entre os crimes apontados no indiciamento estão organização criminosa, obstrução de Justiça e favorecimento pessoal.
As apurações indicam que detalhes da Operação Zargun, que tinha como alvo TH Joias, teriam sido divulgados antes do cumprimento das medidas judiciais. Segundo os investigadores, o vazamento teria possibilitado que o então parlamentar reorganizasse sua rotina e seu entorno antes da ação policial.
Um dos indícios citados é que, no dia anterior à operação, o investigado deixou o imóvel onde residia, localizado na Barra da Tijuca, apresentando sinais de retirada apressada de objetos.
A Polícia Federal também aponta a possível existência de uma rede de proteção institucional, composta por pessoas com acesso a informações reservadas, que teriam beneficiado integrantes da facção criminosa.
Além dos nomes já citados, também foram indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado. O desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, chegou a ser preso durante o andamento das investigações, mas acabou não sendo incluído na lista de indiciados.
Segundo a Polícia Federal, a responsabilização de magistrados segue regras específicas previstas na Lei Orgânica da Magistratura.