O governo de Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a articulação política para aprovar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, com negociações envolvendo cargos em agências reguladoras. A movimentação ocorre após meses de resistência no Senado e às vésperas da sabatina marcada para o dia 28 de abril, em um cenário considerado mais favorável ao indicado.
De acordo com levantamentos junto a líderes partidários, Messias já reúne cerca de 48 votos no Senado, número acima dos 41 necessários para aprovação. O quadro difere do fim de 2025, quando a indicação enfrentava dificuldades. A vaga no STF permaneceu aberta por mais de seis meses, período em que o governo ampliou o diálogo com parlamentares de diferentes partidos.
A estratégia do Palácio do Planalto incluiu a negociação de espaços em órgãos reguladores, onde há cargos vagos ou prestes a serem liberados. Entre as estruturas citadas estão Agência Nacional de Aviação Civil, Agência Nacional de Telecomunicações, Agência Nacional de Mineração, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Comissão de Valores Mobiliários e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que concentram funções relevantes em setores estratégicos.
Messias se reuniu nesta terça-feira (14) com o senador Weverton Rocha, relator da indicação, que apresentou parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, também se encontrou com Lula no Palácio do Planalto antes da posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
Publicamente, Alcolumbre afirmou que não participou de negociações envolvendo cargos e classificou as tratativas como institucionais. Nos bastidores, líderes indicam que partidos devem participar da escolha de nomes para as agências reguladoras nos próximos meses. Assim como a indicação ao STF, esses cargos também passarão por sabatina no Senado.