Um grupo restrito de 13 servidores concursados da Câmara dos Deputados acumulou, desde 2016, o montante de R$ 9,3 milhões em pagamentos por horas extras. Os beneficiados ocupam cargos de confiança na cúpula administrativa da Casa, e os valores, por serem considerados verba extraordinária, ficam fora do teto constitucional do funcionalismo público.
A informação foi revelada em levantamento do portal Metrópoles , com base em dados públicos de contracheques federais.
Entre os maiores beneficiários está o advogado-adjunto Daniel Borges de Moraes, que lidera a lista com R$ 1,06 milhão recebidos no período. Já Guilherme Barbosa Brandão, atual diretor-geral da Câmara, acumula R$ 823,9 mil em pagamentos adicionais desde 2016.
Pagamentos elevados e acima do teto
De acordo com a apuração, os valores pagos frequentemente ultrapassam R$ 20 mil e, em alguns casos, chegam a mais de R$ 30 mil mensais por servidor apenas em horas extras. Em 2025, por exemplo, Daniel Borges de Moraes recebeu R$ 174,6 mil nesse tipo de remuneração.
A lista inclui ainda nomes como o diretor de Comunicação, Cláudio Roberto de Araújo, que soma R$ 1,53 milhão em extras, e o policial legislativo Suprecílio do Rêgo Barros Neto, com R$ 1,49 milhão. O advogado Mizael Borges da Silva Neto, irmão gêmeo de Daniel Borges, também recebeu R$ 1,49 milhão no período.
Outros servidores, como Marcelo Guedes de Resende e Francisco José Dantas Pereira, também ultrapassam R$ 1,3 milhão em valores adicionais.
Justificativa e controle
Para alcançar esses montantes, os servidores precisariam cumprir carga máxima durante a semana e ainda trabalhar em fins de semana e feriados.
Em nota, a Câmara dos Deputados afirmou que os integrantes do grupo exercem “jornada extenuante” e que o pagamento de horas extras segue a legislação vigente. A Casa também informou que os serviços extraordinários dependem de autorização prévia e são registrados por meio de controle eletrônico de ponto.
Mesmo assim, os dados revelam que a prática se mantém ao longo de diferentes gestões e contribui para elevar significativamente a remuneração de um grupo seleto dentro da estrutura administrativa do Legislativo.