Informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam que o Banco Master realizou repasses milionários ao portal Metrópoles e a uma empresa ligada ao jornalista Leo Dias entre 2024 e 2025.
De acordo com as apurações, os pagamentos ocorreram em um período em que o banco já enfrentava dificuldades financeiras e buscava apoio institucional. Nesse contexto, o banqueiro Daniel Vorcaro chegou a se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o então futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo .
Os dados apontam que o Metrópoles recebeu cerca de R$ 27 milhões, enquanto aproximadamente R$ 9,9 milhões foram destinados à empresa de Leo Dias. Além disso, o jornalista teria recebido outros R$ 2 milhões de um empresário ligado ao banco e a Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro em investigações da Polícia Federal.
Segundo os relatórios, os repasses ao Metrópoles foram classificados como “inusitados” e incompatíveis com o faturamento da empresa. Também foi identificada a transferência rápida de valores para outras empresas ligadas ao ex-senador Luiz Estevão, o que, na avaliação do Coaf, pode indicar movimentação em benefício de terceiros.
No caso de Leo Dias, os documentos apontam que, em um período de 15 meses, cerca de R$ 34,9 milhões circularam nas contas de sua empresa, sendo que aproximadamente 28% desse montante teve origem no Banco Master. Também foram identificadas saídas financeiras superiores às entradas, além de pagamentos a terceiros e transações consideradas sem justificativa clara.
Os repasses ocorreram principalmente a partir do segundo semestre de 2024, período em que o Banco Master enfrentava pressão no mercado e tentava viabilizar operações, como a venda ao BRB, além de lidar com investigações que culminaram na operação “Compliance Zero”.
Tanto o Metrópoles quanto Leo Dias negaram irregularidades. Em suas defesas, afirmaram que os valores recebidos estão relacionados a contratos publicitários firmados com o Will Bank, banco digital ligado ao Banco Master e posteriormente liquidado pelo Banco Central.
O caso segue sendo analisado por autoridades e integra um conjunto mais amplo de investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o Banco Master e seus principais executivos.