O empresário Mauricio Camisotti firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal no qual reconhece a existência de fraudes relacionadas a benefícios do INSS. Este é o primeiro acordo desse tipo no âmbito da Operação Sem Desconto. Preso desde o ano passado, ele pode ter a pena convertida em prisão domiciliar como parte do acordo.
A revelação foi feita inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo as investigações, Camisotti é apontado como uma das principais peças do esquema que teria desviado recursos de aposentados.
De acordo com os investigadores, ele atuaria como sócio oculto de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ambos são suspeitos de obter ganhos ilícitos por meio de descontos em mensalidades associativas aplicados diretamente nos benefícios de aposentados, muitas vezes sem o consentimento das vítimas.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam movimentações consideradas atípicas, incluindo cerca de R$ 59,9 milhões destinados à empresa Rede Mais Saúde, administrada por Paulo Camisotti, filho de Maurício. Também foram identificados repasses de aproximadamente R$ 16,1 milhões para a Prospect Consultoria Empresarial, ligada a Antunes.
Tanto Camisotti quanto Antunes estão presos desde 12 de setembro, após decisão posteriormente confirmada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. A Justiça considerou que ambos poderiam interferir nas investigações sobre os descontos irregulares nos benefícios.
As apurações também mencionam que Antunes teria custeado uma viagem a Portugal, em 2024, para Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele confirma a viagem, mas nega qualquer relação com o investigado ou participação no esquema.