A substituição do delegado da Polícia Federal responsável por investigações sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social ( INSS ) e por apurações envolvendo o filho do presidente Lula , Fábio Luís Lula da Silva , conhecido como Lulinha , provocou questionamentos no meio político e reação imediata de parlamentares da oposição.
O delegado Guilherme Figueiredo Silva, que comandava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, deixou o posto no início de maio. Ele era o responsável pelo inquérito que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes previdenciárias e também assinou o pedido de investigação sobre a relação entre Lulinha e o empresário Antônio Camilo Antunes , conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a substituição ocorreu a pedido do próprio delegado, que pretende retornar para seu estado de origem, Minas Gerais. Apesar disso, a mudança levantou suspeitas e motivou cobranças por esclarecimentos.
O tema chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro André Mendonça teria solicitado explicações a integrantes da Polícia Federal durante reunião realizada nesta sexta-feira (15).
As investigações apuram um suposto elo entre Lulinha e Antônio Camilo Antunes, além de uma viagem planejada pelo filho do presidente à Espanha. A suspeita envolve possível triangulação financeira e o uso de empresas de fachada em um esquema que estaria relacionado a fraudes previdenciárias.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS identificou indícios de crimes como tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva.
O delegado substituído também foi responsável pelo pedido de prisão de Antônio Camilo Antunes.
A defesa de Lulinha contesta as investigações e afirma que não há elementos concretos que sustentem suspeitas de irregularidades. O filho do presidente admite conhecer o empresário e confirma ter viajado com ele para Portugal, mas sustenta que a relação tinha finalidade comercial ligada a projetos no setor de cannabis medicinal.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, representante de Lulinha, afirmou não enxergar interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na troca do comando da investigação.
“O presidente Lula sempre defendeu as instituições. Provavelmente não teve relação, direta ou indireta, na mudança do posto. Deve ser alguma questão burocrática”, declarou.
A revelação da troca provocou reação da oposição no Congresso. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, protocolou requerimento para convocar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a prestar esclarecimentos.
Já o senador Carlos Viana também defendeu explicações públicas sobre a mudança, afirmando que o caso exige “transparência absoluta e respostas claras à sociedade”.
Até o momento, a Polícia Federal não se pronunciou oficialmente sobre os detalhes da substituição.