O Ministério de Minas e Energia enfrenta dificuldades orçamentárias que já atingem contratos terceirizados, serviços básicos de manutenção e programas considerados estratégicos pelo governo federal. Documentos internos obtidos pela Folha de S. Paulo mostram que a pasta não dispõe de recursos suficientes nem para obras simples na sede do órgão, em Brasília, como a instalação de uma escada de incêndio. O cenário também afeta o programa Gás do Povo, uma das principais iniciativas sociais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva .
O programa substituiu o antigo Auxílio Gás e passou a funcionar por meio de vales para retirada de botijões em revendedoras credenciadas. A previsão do governo é alcançar cerca de 15 milhões de famílias em 2026, com expansão gradual da rede de atendimento em todo o país. Segundo relatos internos do ministério, apenas dois servidores estariam atualmente responsáveis pela operacionalização do programa dentro da estrutura da pasta.
Em ofício encaminhado à ministra Esther Dweck, o ministro Alexandre Silveira alertou que a falta de servidores pode comprometer a execução do Gás do Povo e o cumprimento de metas previstas pelo governo federal. No documento, Silveira afirmou que a insuficiência de pessoal pode afetar a implementação da política pública, além de prejudicar ações voltadas ao enfrentamento da pobreza energética e à redução das desigualdades sociais.
Há duas semanas, o ministério solicitou ao Ministério da Fazenda a liberação antecipada de R$ 22 milhões previstos no orçamento anual para conseguir cumprir compromissos imediatos. Apesar de o valor já estar reservado para 2026, a pasta informou que não consegue adequar suas despesas aos limites mensais de execução orçamentária definidos pelo governo federal. O orçamento autorizado do ministério para este ano é de R$ 566,2 milhões, além de uma suplementação de R$ 43 milhões concedida ao longo do exercício.
Documentos internos apontam ainda que o ministério precisará de um reforço adicional de R$ 48,5 milhões para manter as atividades em funcionamento. Parte do valor será destinada à Nuclebrás Equipamentos Pesados, ao Serviço Geológico do Brasil, à Empresa de Pesquisa Energética e à Pré-Sal Petróleo S.A.. Segundo o ministério, a falta de recursos pode provocar paralisação de contratos, redução da capacidade operacional e dificuldades na continuidade de projetos ligados às áreas nuclear, petrolífera, energética e de monitoramento geológico.