O o deputado federal Rogério Correia (PT) e o grupo Prerrogativas, formado por advogados ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva , protocolaram nesta terça-feira (19) uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a investigação de repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os autores da ação também solicitam que a Justiça Eleitoral impeça a exibição do longa antes das eleições presidenciais, sob o argumento de que a obra poderia influenciar o processo eleitoral. O pedido ocorre em meio à expectativa de disputa entre Lula, que deve buscar a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro , apontado como principal nome da oposição.
Os aliados do presidente argumentam que o filme, que teria recebido R$ 61 milhões do Banco Master e tem estreia prevista para setembro — um mês antes da eleição — poderia funcionar como instrumento de comunicação política de grande alcance, configurando eventual propaganda eleitoral antecipada.
Na petição, os autores sustentam a existência de uma suposta estrutura paralela de financiamento político, envolvendo agentes públicos, recursos privados milionários e empresas estrangeiras. Eles pedem ainda que o caso seja encaminhado à Polícia Federal, ao Banco Central, à Receita Federal, ao Ministério da Justiça e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para apuração de possíveis irregularidades, como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude cambial e crimes financeiros.
Para embasar o pedido, os petistas citaram um precedente do próprio TSE, que em 2022 suspendeu a divulgação do documentário Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro?, da produtora Brasil Paralelo, durante o segundo turno das eleições presidenciais. À época, a Corte entendeu que a exibição poderia interferir no pleito.
Os autores da ação afirmam que o caso de Dark Horse apresenta semelhanças com aquele episódio, por envolver Bolsonaro, conteúdo político sensível e lançamento previsto para período próximo ao calendário eleitoral.
Os detalhes completos da produção ainda não foram divulgados, mas o longa deve retratar episódios marcantes da trajetória política de Bolsonaro, incluindo o atentado a faca sofrido pelo então candidato à Presidência em 2018. Parte das gravações já foi realizada em São Paulo, com o ator Jim Caviezel interpretando o ex-presidente.
A ação será distribuída a um dos ministros do TSE, atualmente presidido por Nunes Marques, que deverá analisar o pedido nos próximos dias.