O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou nessa quinta-feira (21) que o Governo Federal poderá voltar a cobrar imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas de e-commerce, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. A declaração ocorre menos de cinco meses após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar o fim da cobrança, no último dia 12. Segundo Durigan, a suspensão da taxa tem caráter regulatório e poderá ser revista futuramente, dependendo do comportamento do mercado.

“A medida é regulatória, portanto, ela foi zerada nesse momento, havendo permissão para que o Ministério da Fazenda acompanhe a evolução. Caso haja algum desarranjo, um avanço disso, é preciso avaliar e trazer isso a debate público e, eventualmente, trazer de volta essa taxa”, disse o ministro em entrevista à CNN Brasil .

Foto: Reprodução/ Instagram
Secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan

Mesmo diante do cenário político mais sensível, Durigan afirmou acreditar na aprovação da Medida Provisória (MP) relacionada ao tema no Congresso Nacional. De acordo com ele, o governo conta com apoio suficiente, inclusive entre parlamentares da oposição. “Não tenho dúvida de que o Congresso vai converter a medida provisória da taxa das blusinhas”, declarou o ministro. Durigan também destacou que mantém boa interlocução com os presidentes da Câmara e do Senado em pautas econômicas.

O ministro afirmou ainda que o presidente Lula costuma questionar a diferença de tratamento tributário entre consumidores. Segundo ele, enquanto pessoas da classe média têm direito a uma cota de US$ 1 mil em compras feitas durante viagens internacionais, consumidores de menor renda que realizam compras online acabam sendo taxados.

Durante a entrevista, Durigan anunciou que a equipe econômica trabalha na criação de uma nova versão do programa Desenrola, desta vez voltada para consumidores adimplentes, ou seja, pessoas que não possuem dívidas em atraso. Segundo o ministro, o programa deve ter duração de 90 dias e a expectativa é de lançamento até junho, antes do período eleitoral. “O Desenrola para adimplentes está sendo desenhado dentro do Ministério da Fazenda e muito em breve vamos trazer detalhes”, afirmou Durigan a jornalistas.

A proposta deve beneficiar consumidores que, apesar de manterem os pagamentos em dia, comprometem grande parte da renda com parcelas e correm risco de inadimplência. No início deste mês, o governo lançou o Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas de famílias brasileiras com renda de até cinco salários mínimos. A iniciativa contempla débitos relacionados a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

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