A investigação sobre a morte da bebê Helena Almeida ganhou um novo rumo após o laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará descartar violência sexual e apontar asfixia mecânica indireta como causa da morte. Com isso, a principal linha de apuração deixou de ser estupro de vulnerável seguido de morte.
Agora, a Polícia Civil concentra os esforços em esclarecer como a criança foi asfixiada, quem provocou a morte e qual será o enquadramento criminal dos envolvidos.
O que aconteceu
Helena morreu na segunda-feira (13/7), após ser levada sem vida a um hospital particular de Fortaleza. A mãe, Ysabelle Rodrigues, relatou que estava em uma confraternização em um apartamento com Francisco Ray Magalhães.
Segundo o depoimento, ela colocou a filha para dormir em um quarto e depois encontrou a bebê em outra posição. A mãe afirmou ter visto um homem sobre a criança, identificado como Roberto Levy Magalhães, primo de Francisco Ray. Inicialmente, acreditou que a bebê estivesse engasgada e a levou ao hospital.
Prisões e mudança na investigação
Após o atendimento médico, um relatório apontou lesão anal considerada compatível com violência sexual. Com base nessa avaliação clínica, Francisco Ray e Roberto Levy foram presos em flagrante, e o caso passou a ser investigado como estupro de vulnerável seguido de morte.
Quatro dias depois, a perícia oficial concluiu que não houve abuso sexual, não encontrou sêmen nem material genético dos investigados no corpo da criança e descartou a presença de álcool ou drogas no organismo da bebê.
O que muda agora
Com o novo laudo, a investigação passa a priorizar:
laudos cadavéricos;
perícias no local onde a bebê esteve;
depoimentos de testemunhas;
imagens de câmeras de segurança;
análise dos celulares dos envolvidos;
reconstituição dos últimos momentos de vida da criança.
Os investigadores tentam esclarecer onde ocorreu a asfixia, em que circunstâncias ela aconteceu e se houve ação ou omissão dos adultos responsáveis pelos cuidados da bebê.
Divergência entre hospital e perícia
Outro ponto que será aprofundado é a diferença entre o relatório médico e o laudo da Pefoce. O documento assinado por médicos do hospital descrevia uma laceração anal e apontava indícios compatíveis com violência sexual. Já a perícia oficial concluiu que não houve estupro.
A Polícia Civil deverá esclarecer o que provocou a lesão observada pelos médicos e se ela tem relação com a asfixia ou com outro tipo de trauma.
Nova tipificação do caso
Com o estupro descartado, a investigação foi reclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A Polícia Civil ressalta, porém, que essa tipificação ainda pode ser alterada caso surjam novas provas indicando dolo ou outra circunstância agravante.
Pai responsabiliza a mãe
O pai da criança, Erisvaldo Almeida, publicou uma carta aberta nas redes sociais responsabilizando a mãe pela morte da filha.
Ele afirmou que Helena estava sob os cuidados de Ysabelle e que a bebê foi levada para um ambiente onde havia pessoas consumindo bebidas alcoólicas.
“Minha filha estava na responsabilidade dela. Minha filha tinha apenas 10 meses. Ysabelle levou minha filha para um ambiente onde só tinha pessoas alcoolizadas”, escreveu.
Erisvaldo também declarou que a criança foi deixada sozinha em um quarto enquanto a mãe permanecia na sala do apartamento.
Situação dos investigados
A Polícia Civil informou que as prisões de Francisco Ray e Roberto Levy não foram consideradas ilegais, porque foram decretadas com base nas informações disponíveis no momento do atendimento médico.
Segundo os investigadores, em casos de morte violenta é comum que as primeiras medidas sejam tomadas com base nos indícios iniciais e revistas posteriormente conforme os laudos periciais são concluídos.
Caso continua em aberto
Apesar da mudança de rumo, a principal pergunta permanece sem resposta: quem matou Helena?
A Polícia Civil ainda precisa esclarecer como ocorreu a asfixia, em que momento ela aconteceu, quanto tempo a bebê ficou sem socorro e qual foi a participação de cada pessoa presente no apartamento naquela noite.
Novos depoimentos, exames complementares e análises técnicas deverão ajudar a reconstruir os últimos momentos de vida da criança e definir a responsabilização criminal dos envolvidos.
Juliana Andrade
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