O percentual de operações de crédito com atraso superior a 90 dias, tanto de pessoas físicas quanto jurídicas, chegou a 4,4%, o maior índice registrado desde o início da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 2011. As informações fazem parte do Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado nesta quinta-feira (28). Entre as pessoas físicas, a inadimplência alcançou 5,4%, registrando alta de 1,3 ponto percentual nos últimos 12 meses.
A divulgação dos números ocorre em meio à tentativa do Governo Federal de melhorar os indicadores econômicos com a nova edição do programa Desenrola. A primeira fase da iniciativa terminou com sinais de reendividamento dos participantes. Agora, a estratégia prevê a possibilidade de usar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), limitado a R$ 1 mil, para quitar dívidas.
Os dados do Banco Central também apontam uma leve redução no endividamento das famílias, que passou de 49,9% para 49,8% em relação ao relatório anterior. Apesar da pequena queda, o cenário ainda mostra avanço no comparativo anual, com aumento de 0,8 ponto percentual. Já o comprometimento da renda das famílias com dívidas cresceu 1,3 ponto percentual no período de um ano e chegou a 29,3%.
Com o avanço da inadimplência, os juros também ficaram mais elevados. A taxa do empréstimo pessoal subiu 8,8 pontos percentuais, enquanto os juros do rotativo do cartão de crédito tiveram alta de 3,7 pontos percentuais. Atualmente, a taxa média de juros no país está em 63% ao ano. No mesmo período do ano passado, o percentual era de 58%.
Mesmo diante do aumento nos atrasos de pagamento, a oferta de crédito continuou crescendo. Nos últimos 12 meses, as concessões para famílias avançaram 8,9%. O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém uma postura rígida em relação à taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,50% ao ano, como forma de tentar controlar a inflação. Nos relatórios recentes, o colegiado cita fatores como a crise no Oriente Médio e preocupações com a condução fiscal do governo como elementos de atenção para a economia brasileira.