O caso de estupro coletivo envolvendo duas crianças, de 7 e 10 anos, na zona leste de São Paulo, só foi descoberto depois que a irmã de uma das vítimas a reconheceu em um vídeo dos abusos que circulava nas redes sociais. O episódio ocorreu no dia 21 de abril, mas chegou ao conhecimento da Polícia Civil de São Paulo apenas três dias depois, a partir da iniciativa da familiar.

De acordo com Janaina da Silva Dziadowczyk, delegada do 63° Distrito Policial e responsável pelo caso, a denunciante já não vivia com a mãe, porém conseguiu identificar o irmão nas imagens dos abusos que estavam sendo compartilhadas online e decidiu registrar a ocorrência.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Polícia Civil de São Paulo

O portal Metrópoles teve acesso ao conteúdo, mas optou por não exibi-lo devido ao grau de violência contra as crianças. Nas gravações, o grupo de agressores aparece zombando do sofrimento das vítimas. Em outro trecho, uma das crianças é atingida com tapas na cabeça. Após o registro da denúncia, os investigadores enfrentaram obstáculos iniciais, já que a irmã não possuía informações detalhadas sobre o ocorrido, como o local exato do crime.

Ainda conforme a delegada Janaina, as famílias das vítimas sofriam pressão de moradores da região, que buscavam “resolver entre eles”, sem acionar as autoridades. A apuração também indicou que, temendo a repercussão do caso, os familiares “saíram de casa com a roupa do corpo”.

Mesmo diante das dificuldades para localizar testemunhas, a polícia informou que conseguiu colher todos os depoimentos em um prazo de três dias.

Até agora, três adolescentes e um adulto foram identificados e detidos. Um menor segue sendo procurado. Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, equipes estão em contato com a família do jovem foragido para que ele se apresente. A delegada Janaina Dziadowczyk também declarou acreditar que isso deve acontecer em breve. “A melhor coisa a fazer neste momento.”

Sem anúncio no momento

Dos três menores apreendidos, dois foram levados pelos próprios pais, na quinta-feira (30), até o 63° Distrito Policial, na Vila Jacuí, onde o caso é investigado. Outro adolescente foi localizado em Jundiaí, no interior paulista. Já o único adulto envolvido foi preso na Bahia e, segundo a investigação, deve ser transferido para São Paulo nesta segunda-feira (04). A polícia informou que todos os detidos admitiram participação no crime.

Com a prisão dos suspeitos, os agentes agora tentam identificar quem compartilhou os vídeos das agressões nas redes sociais.

Conforme a investigação, o adulto preso teria gravado o crime e enviado o material a conhecidos por meio do WhatsApp. A partir daí, as imagens se espalharam nas redes. As autoridades alertam que quem divulgou os vídeos também pode ser responsabilizado e pedem que a população interrompa o compartilhamento, mesmo que a intenção seja denunciar ou expressar indignação.

Além disso, pessoas que teriam ameaçado ou coagido as famílias das vítimas, desencorajando a denúncia, também serão alvo de apuração policial.