O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (11), a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida anunciada após uma investigação comercial que apontou falhas no combate ao desmatamento no Brasil.
A declaração foi feita em Brasília, durante evento em que o governo divulgou dados sobre a redução dos alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Segundo o Executivo, houve queda de 61,4% nos alertas na Amazônia e de 12,2% no Cerrado em maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.
Lula afirmou que os Estados Unidos utilizam argumentos falsos para justificar as medidas comerciais contra o Brasil. “Eles mentiram da primeira vez e mentiram agora de novo”, disse o presidente, ao mencionar também a tarifa de 50% aplicada no ano passado sob a justificativa de déficit na balança comercial.
O petista declarou ainda que o Brasil pretende apresentar os dados ambientais ao governo norte-americano para demonstrar os esforços do país em reduzir o desmatamento e atingir a meta de desmatamento zero até 2030.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) aponta problemas como fraudes em Cadastros Ambientais Rurais (CAR), extração ilegal de madeira, conversão de áreas para pastagem e corrupção envolvendo fiscalização ambiental. O documento afirma que, entre 2023 e 2024, 91% do desmatamento na Amazônia e 51% no Cerrado ocorreram de forma ilegal.
Além da questão ambiental, a investigação norte-americana também cita práticas comerciais consideradas discriminatórias, incluindo o sistema PIX, a regulamentação das big techs, trabalho forçado e pirataria.
Lula afirmou que o Brasil “tem credibilidade para discutir questões ambientais com qualquer país” e criticou o que chamou de postura imperial dos Estados Unidos nas negociações internacionais.